Odeio ciclovias!

Para muitos (principalmente os paulistanos), o conteúdo desse relato deve ser corriqueiro, porém foi a primeira vez que me aconteceu. Nenhum um acidente, apenas uma atitude a se pensar.

Depois de quase três semanas sem pedalar (apenas fim de semana para resolver um coisa ou outra ali) voltei a ativa nos pedais noturnos. Meus pedais são meramente de cunho esportivo, além de ser “anti-estresse”.

Era perto das nove da noite e eu tinha instalado, a menos de uma hora, um farolzinho tipo “break light” e estava todo contente em voltar a pedalar e ainda pensando “estou mais seguro”. Em uma avenida relativamente larga (três faixas) de Sorocaba, transitava pela faixa extrema da direita e depois de alguns metros peguei à direita onde havia um contorno para retornar a essa mesma pista no sentido oposto. Fiz o contorno e parei no semáforo (vermelho).

Esse contorno permite o motorista manter a esquerda e cruzar a tal avenida para pegá-la no sentido oposto e permite também o motorista manter a direita para pegar (ou voltar) a via no sentido estava (conforme ilustração abaixo), porém é faixa para apenas um carro e o “V” da bifurcação são apenas indicações pintadas no chão.

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Como minha intenção pegar o “outro lado” da pista, fiquei bem a direita na faixa da esquerda e logo parou um carro atrás de mim. Poucos segundos antes do semáforo abrir parou na minha direita (em cima da faixa pintada no chão) um cidadão de carro e ficou esperando. Logo que o semáforo abriu eu sai na frente e comecei a pedalar e logo ele acelerou o carro atrás de mim ‘enfiou’ o carro na minha direita quase subindo em no canteiro central e começou a olhar para a direita (dele, claro) tentando ver se algum outro carro vinha no sentido da pista qual iríamos nos adentrar (detalhe que se o semáforo abriu para nós, logicamente não viria nenhum carro naquele sentido, pois estavam todos parados no outro semáforo). Nesse momento, por pensar que ele não tinha me visto, dei alguns gritos e acenei com a mão sinalizando que eu “já” estava ali (e que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço).

Ele reduziu a velocidade e eu fui embora. Claro que alguns instantes depois ele se projetou para me passar, foi quando percebi que ele desacelerou o carro para ficar paralelo a minha bike. Eu olhei pro lado esquerdo achando que ele ia pedir desculpas ou dizer que não havia me visto (como já aconteceu diversas vezes comigo) e o cidadão com o vidro aberto do seu veículo poluidor proferiu a frase em tom agressivo e intimidador:

- Meu filho (ou amigo?), Sorocaba tem ciclovias!

A primeira coisa que pensei em responder foi:
- Mas onde você está vendo ciclovia aqui para eu circular?? – mas instintivamente respondi que era meu direito circular em via pública e que isso estava na lei. O infeliz ficou sem resposta e ficou indagando:

- Ah, está?
- Ah, está é?

Então ele abaixou a mão direita e reduziu uma marcha. Achei que ele ia jogar o carro em cima de mim, então parei de pedalar e me preparei para freiar (ou até me jogar na calçada), mas ele apenas acelerou furioso e foi embora.

Fiquei assustado, chateado e pensativo. Mal terminei meu percurso e decidi voltar pra casa, na ciclovia, quando tivesse, na rua como é de meu direito. Nesse caminho de volta refleti o tempo todo sobre o ocorrido e as dicussões que sempre rolam na lista da bicicletada (bicicletada-sp@lists.riseup.net) sobre o quão excludende é a idéia que pode passar a existência de uma ciclovia. Ou não só a idéia, o quão excludente realmente é uma ciclovia.

Talvez eu pare de pedalar… nas ciclovias.

Au revoir

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6 Comentaram ↓

#1 Renato Tarantelli em 23.08.08 as 14:48

Lembrando que se trata de Brasil, onde muitos não respeitam o direito de seu semelhante o ocorrido é apenas um ato comum (que ironia). Infelizmente vivemos em uma sociedade em as pessoas não conseguem entender que o direito dela termina quando o do outro começa isso faz com que babaca como esse motorista, tivesse tal atitude, atitude que por sua vez não sei se é uma ignorância por parte do motorista ou apenas pelo por desconhecer o sentido da palavra respeito.

Atitudes como essa são tão comuns que já passaram a fazer parte do cotidiano do brasileiro, é triste dizermos que isso é comum e que as pessoas por sua vez não fazem nada para mudar, tornando isso um ato corriqueiro e mesquinho.

Tomara que isso não volte a acontecer novamente.

Sorte em suas pedaladas noturnas [RS].
[]’s Renato

#2 Renato via Rec6 em 23.08.08 as 21:10

Odeio ciclovias! | [superatrativo]…

Fácil de entender…

#3 Liliane em 05.09.08 as 14:48

E por falar em falta de respeito… Esta semana estou fazendo um curso que pra mim, é do outro lado do mundo e por isso não tem condições de chegar em tempo se eu for de carro, pois hoje em dia é praticamente impossível atravessar São Paulo no horário de pico. Então o jeito foi usar o metrô e a “taxisola”.
Meu colega e eu chegamos na estação Palmeiras-Barra-Funda e já estranhamos a plataforma estar parecendo um formigueiro antes das 18H. Era 17:45H e não conseguimos embarcar. Ficamos esperando o próximo e o próximo e o próximo…
Nessas horas eu penso e agradeço à Deus que não preciso deste meio de transporte diariamente. Somente nas emergências, rs… Quando chegamos na estação Sé, o caos estava instalado. Não estávamos entendendo porque não deixavam a gente descer ou subir nenhuma das escadas. De repente ouvimos o funcionário do metrô anunciar que toda aquele bagunça foi porque um usuário estava nos trilhos na estação Armênia. Parecia que uma cidade inteira estava dentro do metrô. Muita gente, por todos os lados e a plataforma não comportava mais ninguém, por isso não dava para descer as escadas.
Essa situação toda não é novidade para muitos e muitos, mas o que mais me estressou foi quando em um momento da viagem, eu estava parecendo uma sardinha enlatada e ainda por cima o maquinista ficava freiando repetidamente e o povo começa a se desiquilibrar e cair uns por cima dos outros. Foi então que no momento em que eu procurei pelo suporte no teto do vagão e estava me esticando toda para conseguir me segurar, ouvi a seguinte frase:
- Tem gente que não cresce, é um problema.
Na situação que nos encontrávamos, no pico do estresse, eu não pude ficar quieta e tive que responder sem mesmo conseguir me mexer pra tentar ver quem foi o engraçadinho:
- Aaahhhh, eu não estou pedindo a sua ajuda!
E ele ainda ficou retrucando e dizendo:
- Deus sabe o que faz.
Mas quando eu falei, as pessoas ao redor ficarm indignadas com a atitude daquele homem, já tomaram as minhas dores também começaram a reclamar:
- E ainda somos obrigados a ter que ouvir isso? É um absurdo, um abuso, falta de respeito etc…
O que leva uma pessoa do nada, sem nunca ter me visto na vida, simplesmente começou a fazer provocações para ver se com isso tornaria seu dia mais atrativo.
Eu acho que ele é um frustrado que não tem ninguém pra conversar e fica esperando o momento para soltar uma piadinha infame dessas, sem graça nenhuma e que pelo que eu percebi, ninguém gostou.
Momentos depois eu pude ver quem foi o cidadão porque ele desceu depois de umas duas estações, achando que ganhou o dia.
A tendência é de que daqui um tempo, a cidade não vai mais comportar tanta gente e um vai querer tomar o lugar do outro, não se importando com os meios para isso.

#4 Carlos Marchesato em 06.09.08 as 20:35

Sobre o pertinente entre o CNT e o Ciclista.

Atitude, Qualidade de Vida, Lazer, Consciência e Ecologia.

O Código de Transito Brasileiro (CTB) – Lei 9.503/97

Ciclista x Veículos automotores
Artigo 58 : “nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos das pistas de rolamento, no mesmo sentido da circulação regulamentado para a via, COM PREFERÊNCIA SOBRE OS VEÍCULOS AUTOMOTORES”.

Artigo 68 Trata-se, a bicicleta, de um veículo de tração humana e sendo assim deve abster-se (não circular) de transitar nas calçadas, exceto quando o ciclista estiver desmontado empurrando a bicicleta, momento em que se equipara ao pedestre em direitos e deveres.

Capítulo XV as infrações àqueles que desrespeitam as normas de trânsito.

Artigo 201: “Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicletas”.

Artigo 220 : “Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança de trânsito: inciso X I I I – ao ultrapassar ciclista”.

#5 Antonio Fernandes em 09.01.09 as 8:15

Me desculpe o autor mas este comentário absurdo só poderia vir de um sorocabano mesmo. Carros e bicletas realmente não podem dispitar o mesmo espaço pois as diferenças de tamanho e velocidade dispensam maiores explicações. O certo seria cada avenida ter sua ciclovia e Sorocaba vem se esforçando para conquistar isto. Aqui existem coisas inexplicáveis como quando começa a garoar e os motoristas ligam o limpador de párabrisas na velocidade máxima, esquecendo-se ou desconhecendo que a maioria dos veículos dispõe de temporizador, até os “pé-de-boi” populares o possuem. Coisas de Sorocaba, ou como diria o Marvadão: SOROCOISAS.

#6 Rafael Casale em 09.01.09 as 10:26

Antônio,
se queres me criticar, eu aceito, mas falar “… comentário absurdo só poderia vir de um sorocabano…” você não está somente ofendendo a mim, mas todos que nasceram e se sentem sorocabanos. Mesmo que também o seja, não tens esse direito.

E é esse tipo de atitude egoísta que quis enfatizar no meu artigo; algo como “nós, os motorizados, somos donos da rua. Podemos estacionar em qualquer lugar, podemos poluir o ar alheio, exigimos que ninguém fique no nosso caminho, etc”. Por quê não respeitar quem não faz barulho, quem não polui e quem, pouco provavelmente, irá ferir e até matar outra pessoa no trânsito?

Não sou contra a ciclovia em si e sei da importância dela, sou contra essa imagem errônia de que bicicleta não é trânsito e não ser respeitada quando está nele.

Eu fico pasmo quando vejo pais e propagandas dizendo para que não deixam (ou não devem deixar) seus filhos brincarem na rua porque um carro pode ferí-los. Pronto! Abdicamos do nosso direito, deixamos de fazer algo que gostamos, impedimos que outros o façam, para não “atrapalhar” a passagem dos “reais” donos da rua.

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