Dor de uma perda

Nunca fui, pelo menos nunca me senti, muito apegado as coisas materiais. Mesmo com a forte influência da necessidade do ter, do ser e finalmente do “você vale o que tem”, raras as vezes me senti realmente tentado a possuir algo material, tanto é que eu não tenho carro, casa, notebook ou um ipod.
Isso não significa também que eu faça minhas próprias roupas ou durma num barraco de madeira construído por mim mesmo (nada contra quem faz isso, pelo contrário, acho louvável). Dentre os bens que possuo estão duas bicicletas e quando de mim foram subtraídas (furtadas) na última quarta-feira (29/04/2009), tive uma sensação de perda, impotencia, decepção e tristeza que não lembro de ter sentido em toda minha vida.
Essas sensações estranhas e desagradáveis me fizeram refletir sobre o quanto eu achava que era “desapegado” de bens materiais. Nesse momento de reflexão, cheguei a óbvia (não era óbvil para mim no momento) conclusão de que não se tratava somente de perda material, mas a lembrança dos ótimos momentos associado aos bens materiais perdidos.
A primeira bicicleta era uma montain bike de 18 marchas, nada muito sofisticado, sem marca. Mas ela foi responsável por me levar pra todo canto em Sorocaba, me dar condicionamento físico, me divertir e me fazer descobrir os prazes da real liberdade (diferente da qual é vendida associada a carros) e da ciclolocomoção.

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A segunda bike, também uma montain bike, é uma KHS alite 300, um veículo muito melhor em termos de material e tecnologia, e tão essencial quanto a primeira, ou seja, eu não a considerava “melhor” que a primeira. Essa bike me fez desejar e iniciar a prática do cicloturimo. Com ela viajei para cidades próximas a minha e pude ir para Itu, Salto e Cabreúva. Com ela, pude sonhar e iniciar o planejamento de uma cicloviagem até Barretos, uma distância de aproximadamente 420 km.

khs_alite300

Infelizmente não as batizei. Não que isso fosse mudar alguma coisa, mas não as trataria como a primeira e a segunda bicicleta, ou como a bicicleta mais velha ou a mais nova. Novamente isso não ia mudar nada, mas sinto que isso diminuiria a sensação de materialização do bem.
Como não poderia deixar de ser, ainda tenho esperança de encontrá-las, ou de que a polícia as encontre. Indepedentemente do destino delas, não desistirei do que planejei para esse ano e para o próximo. Continuarei com o planejamento e treinamenteo para a cicloviagem, pois, parafraseando Fernando Pessoa, pedalar é preciso, viver não é preciso.

Às minhas duas bicicletas, muito obrigado pelos momentos vividos!

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1 Comentário ↓

#1 Ricardo em 04.05.09 as 15:18

Sinto muito pela perda, amigo Casale.

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