Depois de várias horas de viagem, não foi fácil acordar as 8h30 da manhã do dia 21/09/2009, mas sabíamos que era preciso. Tomamos um saboroso café da manhã na pousada, onde aproveitei para tirar informações importantes para o primeiro dia de passeio na chapada.
Batendo um papo com a ajudande geral da pousada descobri que o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros não abria às segundas-feiras, porém ainda era possível fazer diversos passeios pela região. Ela foi super atenciosa tentando me explicar como chegar na cachoeira do Vale da Lua e depois pegar uma trilha para os Saltos da Raizama, mas pressenti que poderia me perder feio. Ela me disse que o filho dela, o Diego, estava de férias em São Jorge e que o menino crescera naquela região, conhecendo praticamente tudo e que poderia ser o guia (como ele não era um guia “profissional”, ele certamente cobraria mais barato). Ela ligou para o Diego e eu voltei para o quarto me preparar para sair.
Descemos para a recepção da pousada e o guia nos esperava. Combinei o valor com ele (R$50,00) e saimos para o passeio, porém já sabendo da situação pedi para passar em uma vendinha para comprar quitutes para a caminhada. Comprei alguns pães, maçã, banana desidratada e duas garrafas de água (ainda levava várias bisnagas de carboidrato em gel). Coloquei tudo na mochila e pé na estrada.
Estava um sol e um clima muito quente e até achei que duas garrafas de água seriam uma piada perto do forte calor. Logo nos primeiros quilômetros o tempo começou a fechar e adentramos a trilha mais fechada (o que aliviou a sensação térmica) e passamos pela primeira quedinha, o Lageadinho:

Lageadinho
Tomei um pouco de água dali mesmo e resolvemos seguir. O tempo estava bem fechado e começou a chover. Alguns minutos depois e chegamos na entrada da fazenda do Vale da Lua, onde tivemos de pagar R$5,00 de cada para entrar. Foi na entrada da fazenda que tivemos o primeiro contato com cinco futuros amigos. Trocamos algumas palavras tímidas, a chuva deu uma leve trégua e como eu estava com “sangue nos zóio” chamei o guia e a Juliana para seguirmos caminho.
E assim fizemos, mesmo debaixo de chuva. Alguns metros depois, algumas fotos e um tombo “de bunda”, conhecemos o então famoso Vale da Lua.
Essa cachoeira leva esse nome pela formação rochosa criada pela água. Segundo meu guia, o nome foi dado por algum desbravador há um bom tempo atrás que alegava que tais formações lembravam muito a superfície do nosso satélite natural.

O famoso "Vale da Lua"

Tirando água de pedra
A chuva voltara a intensificar e mesmo assim andei pelas pedras (que ficaram muito mais escorregadias) e depois caí na água para um banho de cachoeira. A água estava bem fria, mas isso não me desaninmou. Claramente não fiquei por muito tempo, mas outras duas pessoas também entraram e depois de alguns minutos resolvi sair.
Com a chuva intensa todos que por alí estavam se abrigaram debaixo de uma enorme pedra, onde estava tudo sequinho. Como já beirava às 13:00, foi inevitável fazer um lanche enquanto esperávamos a chuva acalmar. Foi nesse momento que o contato com outro grupo aumentou e conhecemos melhor os amigos Ângelo, Nice (casal), Raul (filho) e a mãe e filho Ananuê. Comemos, batemos papo e dividimos as guloseimas.
Depois de bons minutos, o desconforto por ficar aguachados debaixo da pedra começou a incomodar e a decisão por continuar o passeio debaixo de chuva foi unânime. Detalhe: o sinal de rede de telefonia celular era tão bom, que o telefone do Ângelo tocou no meio do mato, que esatva dentro de um saco plástico, dentro da mochila, debaixo da pedra e com muita chuva. Impressionante!
Eu estava prevenido com duas capas de chuva (uma para mim e outra para a Juliana). Vestimos as capas e seguimos caminho tranquilamente. Decidimos que iríamos ver os Saltos da Raizama e foi uma caminhada muito longa e um pouco difícil (mais longa que difícil). O nosso guia Diego conhecia uma trilha que economizariam vários quilômetros e foi por lá que seguimos. Subimos, descemos, passamos por ponte de corda e madeira, atravessamos córregos, atravessamos fazendas, andamos por estrada (de terra, claro) e depois de algumas horas chegamos a fazenda da Raizama (Raiz + Ama?).
Pagamos os devidos R$5,00 percapita para adentrar na fazenda, porém antes paramos para descansar, comer e hidratar. Minhas roupas estavam ensopadas, pois não usei a capa toda hora e o tênis estava machucando meu calcanhar. Depois de uns 20 minutos, seguimos trilha adentro para chegar as cachoeiras. Passamos pela primeira, uma cachoeira pequena que formava uma simples e bonita piscina natural.

Raizama
Confesso que fiquei decepcionado, mas o Diego que garantiu que isso era pouco perto do viria adiante. Foi então que começamos a descer a trilha que insistia em ficar mais estreita, até certo ponto que parecia que descíamos uma escada de pedras. Quando começamos a avistar as quedas d’água, continuamos pela trilha que era basicamente formado por uma ribanceira do lado direito, muro de pedras do lado esquerdo o caminho que dava pouco mais do que uma pessoa. Aproveitando o momento propício, o nosso guia Diego passou a contar histórias de pessoas que se arriscaram para tirar um foto melhor e acabaram por cair e fatalmente falecer por conta do impacto da queda. As formações rochosas pareciam o Vale da Lua, porém com proporções maiores e com um volume de água bem maior também.

Raizama de verdade
Pouco curtimos a paisagem e iniciamos a caminhada de volta para a pousada. A volta foi uma mini tortura, já que estávamos bem cansados, o sol tinha dado o ar da graça e o caminho era cheio de subidas, descidas e pedras, para variar um pouco. Perto das 17:00 e cerca de 18 km caminhados no dia, chegamos na pousada onde pudemos tomar um merecido banho morno, colocar roupas secas e descansar um pouco.
Perto das 19:00 descemos na recepção da pousada onde conhecemos a esposa do Bruno (proprietário), a Yamitch (seja lá como se escreva). Uma pessoa muito legal, simpática e que nos deu algumas dicas sobre a gastronomia local, enquanto tomávamos algumas cervejas. A escolha então foi para o restaurante Buriti’s, onde comemos o escalopinho de mignon servido com farofa, arroz e feijão caseiríssimos! Apesar de querer ficar conversando e bebendo algo no pacato distrito de São Jorge, tivemos que voltar para descansar pois o próximo dia prometia ser no mesmo rítimo.