Chapada dos Veadeiros – Parte III

Por temos dormido um pouco mais em relação a noite anterior, acordamos um pouco mais dispostos, apesar de ainda cansado depois de caminhar mais de 18 Km. Havíamos combinado com os novos amigos de visitar o Parque Nacional, onde o guia Walter passaria na pousada nos pegar. Antes disso, fizemos nosso saboroso desjejum com calma, arrumamos nossas coisas (capa de chuva inclusive) e fomos até a padaria para garantir o “almoço” do dia.

Na frete do parque conversamos um pouco, assinamos o livro de visitas, obtivemos informações sobre o parque, tiramos fotos e iniciamos a caminhada. Esse dia prometia ser mais light que o primeiro dia, mas haveria uma quantidade significativa de quilômetros a serem vencidos, além das intermináveis pirambeiras.

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma reserva de preservação ambiental administrado pelo IBAMA. Iniciamos a caminhada em trilhas basicamente “single track“, onde nosso guia foi dando algumas informações sobre a flora local. Como estávamos em um grupo de seis pessoas já conhecidas, caminhamos enquanto conversávamos uns com os outros, afim de nos conhecer melhor, trocar informações e experiências, sempre respeitando o rítimo do grupo. Depois de alguns quilômetros, terminamos um trecho de trilha estreita e paramos para descansar um pouco, tomar um gole d’água e apreciar as primeiras aparições da “chapada”.

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

A partir de então começava uma leve descida e que depois se tornaria uma forte descida. É instintivo pensar que o caminho ficaria mais fácil com as descidas, mas dois fatores contribuiram para que esse pensamento não fosse tão lógico: descidas muito íngrimes tornam a caminhada mais lenta e exigem muito mais da musculatura e articulações da perna do que uma subida; e o fator psicológico lembrando que depois de uma longa descida, provavelmente viria uma longa subida. Para piorar tinha começado a chover, mas não tinha volta. O lance era seguir em frente.

Descidas bruscas com quase 90 graus (será que estou exagerando?), pedras, muitas pedras e lisas com a chegada da chuva, deixaram nossa caminhada mais tensa, mas que logo nos recompensou a vista panorâmica da caichoeira “Salto 120″.

Saltos 120 - 120 metros de queda d'água

Saltos 120 - 120 metros de queda d'água

Extasiados com a fantástica imagem, que mais nos parecia uma quadro pintado a óleo em um museu de renome, nos quedamos por alí apreciando aquela maravilha talhada pela natureza por alguns generosos minutos. Passada a euforia e com a promessa de que mais belezas naturais viriam pela frente juntamente com a possibilidde de desfrutar de um banho nessas águas, seguimos caminho.

Poucos metros a frente havia uma outra queda de magnitude ligeiramente menor, que precedia a queda de 120 metros, porém com uma piscina de banho acessível. Assim como a primeira, essa queda levava o nome tal qual seu tamanho. Era o “Salto 80″.

Salto 80 - Preciso dizer a altura?

Salto 80 - Preciso dizer a altura?

A água estava bem fria (não tão fria quanto a água do Parque Nacional de Itatiaia), mas foi impossível resistir ao banho. Nadei de uma margem à outra, cheguei relativamente perto da queda e convenci a Juliana para entrar também. ficamos alí, descansando, vendo os peixinhos e mais uma vez admirando a paisagem. Parados, começamos a sentir mais frio e decidimos por sair da água. Alí fora, o grupo fazia o primeiro lanche do passeio e devia ser perto das 13h00.

Dividimos e comemos nosso lanche “comunitário” e nos hidratamos. Das duas garrafas de água que havia levado (500 mL) só restara meia e resolvi encher a outra com água do rio (se for fazer, pegue de água corrente) por precaução. Todos alimentados, voltamos mata dentro para a chegada da última paisagem do dia.

As subidas começavam a dar as caras, e novamente em single track, seguimos contornando a grande muralha de pedra.

Vale

Vale

No final de uma longa subida, voltamos a acessar uma estrada de terra batida, mais fácil de caminhar. Era mais reta e o chão mais “macio”. Poucos quilômetros a frente e havíamos chegados no destino.

As “Corredeiras” são pequenas quedas de água, lado a lado e em vários peqenos níveis, com águas levemente calmas, quais foram um visual bonito, tranquilo e convidativo ao banho. Claro que não resisti e fui “testar” as mini quedas. A Juliana também foi, sem eu precisar falar algo.

Corredeiras

Corredeiras

Depois de relaxar nas Corredeiras, foi preciso exterminar com o resto do lanche que havia (sanduíche, banana seca, água de cachoeira e etc) para ter forças para terminar a caminhada. Perto das 17h30 chegamos de volta a entrada do parque e mais um quilômetro para chegar a até a pousada, que sumarizou pouco mais de 11 quilômetros de caminhada. Antes de nos despedirmos do grupo, combinamos de jantar no restaurante Buriti’s.

Voltamos para a pousada, tomamos um banho, nos aprontamos e fomos até o lobby da pousada aguardar o horário combinado do encontro no restaurante. Nesse meio tempo, ficamos tomando uma cerveja e conversando com os hospitaleiros donos da pousada. Quando estávamos para sair, começou uma chuva torrencial e só chegamos ao restaurante com o empréstimo de um guarda-chuva.

Conversamos bastante, comemos, tomamos cerveja e muito nos divertimos. No final, o Anauê e sua mãe anunciaram que iam embora no outro dia. Trocamos emails e nos despedimos. Fechamos com o grupo que ficaria, um novo passeio ainda a combinar e voltamos para a pousada descansar.

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