Era último dia de passeio em São Jorge e novamente combinamos com os amigos de fazer algum passeio juntos. Acordamos uns minutinhos mais tarde, já que a idéia era fazer um passeio mais leve, já que todos estavam quase esgotados.
O mesmo ritual foi seguido: café da manhã, arrumação, compra de mantimentos e passeio. Desta vez o amigo Ângelo conseguiu alguém de carro para nos levar para o sítio Morada do Sol. O trajeto todo ficou em R$ 50,00 e como fomos em cinco pessoas (mais o motorista), ficou R$ 10,00 per capita. No sítio (entrada R$5,00 / pessoa), pegamos uma trilha curta de mais ou menos 1,5 Km qual bifurcava e levava aos destinos Vale das Androrinhas e Morada do Sol.
Por indicação do motorista (que também era guia, mas não estava com essa função nesse dia), fomos primeiramente ao Vale das Andorinhas, onde existe um mirante qual pode-se observar a queda d’água e tirar fotos, nada mais. Foi uma descida tranquila, curta, porém um pouco íngreme no final.

Vale das Andorinhas (cadê as andorinhas?)
Ficamos pouco tempo por alí e por falta de um espaço mais confotável para todos, decidimos ir para o segundo destino. A trilha para a Morada do Sol também foi curta, tranquila e levemente íngreme no final. Com enormes pedras dispostas, onde dava pra sentar e relaxar, além da possibilidade de tomar um banho de cachoeira, por alí ficamos bons minutos. Mesmo com a água bem fria, não tive como escapar de um banho.

Morada do Sol
Andei, nadei e relaxei debaixo da bela queda d’água. Por alí fiquei uns bons minutos. Resolvi voltar e comer algo, já que o lanche já estava rolando entre as pessoas que não quiseram entrar na água. Ficamos na margem do rio São Miguel conversando, tirando foto, comendo e admirando a paisagem.
Depois do banho e do lanche a conversa rolou solta por um bom tempo. Não estávamos preocupados com a hora de voltar, aliás, não estávamos preocupados com o tempo em si. Em determinado ponto da conversa escutei um barulho do meu lado e imaginei ser um galho ou algo do gênero que havia caído de uma parte não muito alta do barranco ou da pedra. Me virei como num reflexo e realmente vi um galho (ou minha mente viu) e, como se admirando o galho caído percebi que continuava a se mexer.
De forma instantânea medi os detalhes e percebi que era uma cobra de “barriga” pra cima se desvirando para o lado como se realmente tivesse caído de algum lugar. Claramente tomei um baita susto, me levantei anunciando a presença do réptil sem patas e todos, sem precisar desconfiar da minha palavra , se levataram num piscar de olhos para depois querer saber do que se tratava. Enquanto íamos para um lado, a cobra ligeiramente foi para o outro e, de longe, ficamos observando um ao outro com elevado grau de medo (pelo menos da parte dos seres humanos).

Víbora dando seu show
Estabelecida a calma, tomamos um pouco mais de coragem para tirar fotos e tentar identificar a dita cuja. Olhando bem de perfil, parecia ter a cabeça arrendodada, o que me fez lembrar das aulas de biologia do colégio, onde o professor citava características para se determinar quando uma cobra poderia ser venenosa ou não, ou seja, para mim aquela cobra não era venenosa. O problema é que eu nunca tive uma aula prática desse assunto.
Depois disso ninguém mais arriscou entrar na água. Então levantamos acampamento, colocamos as mochilas nas costas e voltamos para São Jorge (o amigo Raul que tinha uma câmera bem legal e tirou uma foto “de cima” da cobra, mostrou para o motorista que disse sem pestanejar: “essa cobra é venenosa, olha a cabeça trinagular da bicha”. E não é que ele tinha razão?).
Em São Jorge fizemos nossa despedida da família Ângelo, Nice e Raul no restaurante da Nenzinha, perto das 15h00. Restaurante do tipo Self Service, com relativa variedade e boa qualidade (saiu cerca de R$15,00 por pessoa com bebida e 1/2 sobremesa). Almoçamos, jogamos mais conversa fora e nos despedimos. O céu estava limpo a sugestão da Yamitch como “grand finale” (já que não dava mais tempo pra nada) era ver o pôr do Sol no mirante.
Descansamos um pouco e as 16h45 saímos rumo ao mirante. Eram cerca de 3 Km em estrada de terra e algumas subidas e descidas. Quase chegando lá, um carro passou pela gente e perguntou onde era o mirante e dissemos: “acho que é por alí”. Com esse “acho” a motorista sacou que também estávamos indo para lá e nos deu uma carona. Chegamos em cima da hora! Mal deu tempo de tirar algumas fotos, curtir um pouco (nem 5 minutos) e o Sol já tinha se escondido atrás da chapada. Voltamos de carona e conversando no rápido trecho (para quem ia de carro) descobrimos que a Adriana estava para se casar com um dos holandeses que estava no carro, além disso ela já tinha morado em Sorocaba e a família inteira dela é de Barretos… coincidência, não?!

Pôr do Sol quase perdido
De volta a pousada e depois de um merecido banho, saímos para finalizar o passeio em São Jorge, comendo uns petiscos, tomando umas cervejas (Restaurante Papa Lua, comendo um crepe, tomando uma cerveja e um suco – R$19,00) e mandando ver um açaí no final (espaço da Jia, um açaí na tigela, um creme de abóbora e uma água – R$15,50). Perto das 23h00, já na cama da pousada, conversando com a Juliana sobre o memorável episódio da cobra, recebo um SMS do Raul, que tinha mostrado sua foto para alguém que conhecia do assunto e descoberto a espécie da criatura: jararaca “achatadeira”. Veneno? Imaginem…