Chapada do Veadeiros – Parte V

Era o último dia de passeio na Chapada dos Veadeiros e tínhamos de fazer o checkout na pousada até o meio dia. Podíamos fazer mais um passeio em São Jorge e dar um jeito de ir para Alto Paraíso de Goiás no final do dia ou pegaríamos o único ônibus para Alto na parte da manhã e dava um jeito de fazer um passeio por lá, rezando para ter um maleiro onde deixar as mochilas.

Como as passagens para Goiânia não estavam compradas (e corríamos um pequeno risco de não encontrar mais), escolhemos a segunda opção. Às 10h da manhã da quinta-feira já estávamos em Alto Paraíso com as passagens compradas e ávidos para fazer um último passeio. Demos uma passada no Centro de Atendimento ao Turista e olhamos as opções.

A Juliana queria ir para as “Loquinhas”, distante 4Km de Alto, mas seria um passeio rápido e a moça do CAT disse que provavelmente não estaria tão belo, pois era época de estiagem. Tentei armar uma estratégia de como nos locomoveríamos de um ponto ao outro e sugeri que fôssemos de bicicleta. Para meu espanto a Juliana topou e fui atrás de saber quanto gastaríamos.

Negocição fechado a R$ 20,00 cada uma, pelo dia inteiro de pedal, porém com grande problema: o pagamento somente em dinheiro. Como não tinha caixa eletrônico do Banco Real, tentei trocar cheque, passar o cartão de crédtio/débito e nada! A solução foi pegar um moto táxi, a R$1,00 o quilometro rodado. Fomos então até a fazenda São Bento, onde os pilotos nos deixaram na entrada da trilha Almécegas I e II. A pé até a cachoeira Almécegas I foram bons minutos (quase uma hora) e a tensão em andar na trilha, após a aparição da cobra nos deixou um pouco ariscos.

Almécega I

Almécegas I

A cachoeira era enorme, mas não chegamos a entrar na água. Como não sabíamos a distância exata até a Amécegas II e já se passava da uma hora da tarde, resolvemos ir para a segunda sem perder muito tempo.

No caminho para a cachoeira Almécega II o sol estava de rachar. Não havíamos passado protetor solar e nossa água estava acabando. Por sorte o caminho era mais curto e logo chegamos ao destino.

Almécegas II

Almécegas II

É uma cachoeira pouco menor que a primeira, mas tão bonita como.

Ao chegarmos lá, haviam outras pessoas curtindo o local também, inclusive um guia e um turista de São Jorge. Nadamos um pouco, tiramos algumas fotos e nessa fui conversar com o guia. Troquei uma idéia com ele e garanti uma carona até a cachoeira São Bento (na entrada do sítio, o que nos rendeu uns 4Km a menos de caminhada).

De carro a chegada a cachoeira São Bento foram menos de 10 minutos. De lá, consegui sinal para ligar para o moto táxi e pedir para ele não me buscar na hora marcada (16h30) e pelo mesmo preço (R$ 20,00) o seu Irinei (guia) nos levaria até Alto Paraíso e aproveitava para dar um rolezinho com o Everton (turista) lá.

Cachoeira do São Bento

Cachoeira do São Bento

Mais enturmado com a galera que alí estava (havia um outro grupo de turistas) ficamos alí por um bom tempo. Nadamos, bebemos água e comemos o restinho do lanche. Já era fim de tarde (17h00) e percebemos que outras pessoas iam chegando para curtir o local, muitos deles estavam alí apenas um banho rápido após um dia de trabalho. Conversei com um paulista de São Caetano (acho) que tinha ido pra Brasilia a negócios e resolveu ir pra a Chapada para conhecer, tinha acabado de chegar na cidade (Alto) e já correu fazer um passeio!

São Bento

Cachoeira do São Bento

A água estava bem fria e com o final da tarde chegando, foi deixando a sensação térmica ligeiramente mais baixa. Era dada a hora de levantar acampamento e ir embora. Seu Irinei nos deixou na frente da estação de moto táxi de Alto Paraíso, deixei meus contatos com o Everton e um cheque para o guia.

Como não havia pago o moto táxi, fui até para saldar minha dívida. Agradeci por eles terem nos deixado lá e compreendido a razão por eu ter pego carona, e então voltamos para a rodoviária trocar de roupa e ir procurar um lugar para jantar. Antes de chegar na rodox, passamos num mercadinho que aceitava cartão Visa e compramos umas garrafas de água, chocolate (toiço!) e uns keep cooler para relaxarmos (não ia comprar um uísque, né?).

Para jantar escolhemos a Massa da Mamma, onde pedimos uma salada grande e uma picanha (um prato com arroz, feijão, batata frita e picanha), qual dividimos em dois.

Quando estávamos voltando para a rodoviária (nossa “pousada”), demos de cara com os amigos que conhecemos em São Jorge e estavam viajando em seu motor home, Ângelo, Nice e Raul. O engraçado re-encontro foi muito legal e a família nos convidou para jantar. Como já havíamos feito, apenas tomamos uma cerveja juntos, também na Massa da Mamma. Depois do jantar, ainda fomos convidados a tomar um café feito no fogão do próprio motor home. Café moído na hora, preocupação do Ângelo para que água estivesse na temperatura ideal (abaixo do ponto de ebulição), preocupação em servir o café em xícaras de porcelana (mesmo com a limitação de recursos de um motor home) e o detalhe em servir pedacinhos de chocolate meio amargo para harmonizar com a bebida dos céus, evidenciaram toda a hospitalidade dessa família e mais, mostrou também como, provavelmente, eles solidificam as amizades que constróem durante suas respectivas vidas. Parabéns e muito obrigado!!

Com uma agradabilíssima noite de primavera goiana, passamos mais de uma hora conversando dentro do veículo-casa, com as portas abertas, sem medo de assalto ou lobisomem :) . Pouco antes das 22h, decidimos voltar para nossa pseudo pousada, em respeito aos amigos que teriam mais um dia de passeio pela frente.

O tíquete da companhia São José do Tocantins que vinha de alguma cidade desse estado e tinha como destino Goiânia/GO, marcava o horário de saída de Alto Paraíso às 23h15 e com previsão de chegada as 5h00. Como já eram quase 22h, retiramos nossas bagagens do maleiro para organizarmos os itens entre mochilas e malas de mão, fazer higiene bucal e etc. Organizamos tudo e aguardamos a chegada do ônibus.

Dica: a opção de utilizar o maleiro foi uma ótima pedida, pois deixamos as malas em “segurança” e pudemos fazer um último passeio sem estar hospedados em pousada alguma. O maleiro de Alto Paraíso é na verdade uma sala simples sem armários individuais como os malex de São Paulo (todas as malas ficam juntas e vai da honestidade de cada um), custa apenas R$ 1,00 por volume por dia e é gerenciado pelo dono da lanchonete da rodoviária (a única). Claro que uma dica mais importante é não deixar coisas de valor dentro das malas. Leve o máximo de coisa de valor sempre junto de você: carteira, dinheiro, cheque, câmera fotográfica e etc. Outra dica que pode valer é levar um cadeado para cada zíper de sua mala/mochila (mas não acho isso muito efetivo, sinceramente, pois alguém que queira, pode acabar levando a mala inteira).

Quase no horário marcado pegamos o ônibus e fomos para a cidade de Goiânia. Bom, esse foi praticamente o fim da viagem. Ainda ficamos em Goiânia/Nerópolis/Caldas Novas por mais quatro dias, mas não irei relatar aqui, pois algo foi algo mais familiar, calmo e sem muitas aventuras pra contar.

Essa foi minha grande viagem do ano, muito legal e com muitos aprendizados. Com certeza valeu muito a pena. Espero que esses relatos auxiliem no planejamento de viagem de muitos leitores. Fique à vontade para entrar em contato e perguntar mais coisas (não prometo que terei as respostas :) ) através do endereço rafael(em)superatrativo.com.br.

Obrigado pela companhia!

  • Anderson

    Amigo, estou saindo da Bahia e indo pra Chapada. Quero sabr o seguinte: contrato um guia ou uma agencia? Pois tneho mreceio em contratar guias assim avulsos mesmo pq estarei com uma garota. E também não sei se ele me levará nos lugares q gostaria mesmo de ir, ou seja, nao sei se são tão profissionais a ponto d eorganizar direitinho uma viagem sabe.

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