Quebrada a barreira dos cem

Em qualquer coisa que se faça, o fator psicológico conta muito. Aliás, conta demais! Agitamos um pedal perto do feriado dia 12 de outubro/2009, no primeiro fim de semana após meu retorno ao trabalho. Talvez por esse motivo (volta ao trabalho) eu tenha ficado com minha não mais costumeira crise de asma, justamente no fim de semana do pedal!

Tal fim de semana estava escrito para ser totalmente frustante, pois muito provavelmente eu não conseguiria fazer alguma atividade. O tempo tinha dado uma virada e eu que ainda estava pouco acostumado com o clima do centro oeste brasileiro, sofri. Tentei me controlar, mas na madrugada de sábado para domingo (11/10/2009) sucumbi a falta de ar.

O Ricardo estava vindo de São Paulo só para pedalar conosco e o Jupa e o Nelson estavam preparados. Como dormi na casa da minha namorada, precisava pelo menos cumprir o papel de levar meu amigo Ricardo ao encontro do dois outros pedalantes. No tempo entre me aprontar e voltar para casa para esperar o Ricardo, dei uma leve melhorada. Mesmo assim não me sentia apto para fazer uma cicloviagem.

Em casa, bem agasalho (até de certa forma exagerada), descansei um pouco no sofá, enquanto o paulistano não chegava. Mais uma leve melhora obtive. Quando o Ricardo chegou, perto das 7h40min, o dia já estava mais quente. Quando começamos a descarregar a bike dele, começou a me dar uma vontade enorme de sair com os caras para pedalar. Nesse momento liguei para o Jupa para dizer que não ia e expliquei o motivo, e ele simplesmente disse: “tu acha que dá, mas tá com medo de passar mal? Vamo aí “de boa” até um local perto, se você se sentir mal ou volta sozinho ou a gente volta contigo”. Por mais incrível que pareça, a Juliana consentiu com a idéia. Parece que a partir de então minha melhora ocorreu de forma exponencial.

Preparados, eu e o Ricardo passamos primeiramente em uma padoca, já que eu não tinha comido nada. Depois de dois pães na chapa e um cafezinho, me despedi da Juliana e fomos para a casa da Carol, encontrar com o Jupa.

Início

Eu, Boo (Ricardo) e Jupa - Eu era o único agasalhado

De lá, reorganizamos as coisas (eu estava com o mala de guidão) e partimos ao encontro do Nelson no Carrefour Sônia Maria. Lá, depois de um chá de cadeira que levamos do maledeto Nerso, conseguimos sair para o pedal. Eram 8h30 da manhã.

Pegamos a avenida Ipanema, passamos pela Cruz de Ferro e pegamos a rodovia sentido Porto Feliz. Como era início do pedal e haviam diversas descidas (e subidas, claro), consequimos fazer um pedal em um rítimo relativamente forte. Cruzamos a rod. Castello Branco e mandamos ver. Fizemos uma primeira parada em uma barraquinha no meio da estrada que vendia uma água de côco.

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Saímos “voados” pela estrada e desta vez sem mais paradas rumo a tão esperada cidade de Porto Feliz! Até a entrada da cidade, se não me falha a memória, foram cerca de 45 km. Já na cidade, procuramos a tal da gruta, mas o portão que dá acesso estava fechado.

Decidimos então que era a hora do “almoço”. Paramos em uma praça grande e bem arborizada. Nessa praça estava rolando um culto religioso, mas ficamos por alí mesmo assim. Estacionamos as bikes, tiramos as caramanholas e comecei a sacar os lanches que estavam na mochila de guidão. Ficamos alí descansando, comendo, bebendo água e conversando por alguns bons minutos.

Eu, Jupa, Boo e Nerso

Eu, Jupa, Boo e Nerso

De repente o Nerso saca o telefone e começa a fazer umas ligações. Ninguém deu bola, pois ninguém tava interessado em saber da vida pessoal, muito menos da vida profissional (se fosse o caso) dele. Enquanto isso fui até a padaria da esquina comprar um litro de água para reabastecer a galera.

O Nerso voltou e disse que tinha falado com uma amiga dele que mora em Porto e perguntou o que a gente achava de dar uma passadela lá. Não lembro de termos sido convictos na resposta, só sei que o lance já tava armado, pois depois de uns minutos a amiga dele aparece e eles começam a conversar. Ele ficou meio longe conversando e a gente ficou falando que ele tava de xaveco furado.

Depois de uns 15 minutos de conversa ele vem até a gente, apresenta a amiga dele e nos convida para ir lá encher as caramanholas, comer algo e etc. É claro que ficamos um pouco sem graça em aceitar o convite, mas as vezes parece que esquecemos que existem pessoas que se sentem bem apenas por ajudar, sem querer nada em troca, esquecemos que temos amigos e que existem pessoas que não são egoístas. Maldita influência do mundo moderno.

Após adentrarmos na casa da Sabrina, chegamos em uma varanda bem grande e alta, onde dava para ver boa parte da vizinhança. Nessa área ficava a geladeira da casa e nossa anfitriã a abriu e começou a colocar com um monte de coisa sobre a mesa: refrigerante, sorvete, pavê, amendoim e etc. Como já havia comido na praça, não estava com muita fome, mas petisquei uns amendoins sabendo que poderiam me dar energia extra no caminho para Itu. O Nerso comeu de tudo, só não tomou sorvete e no final, para aparecer mais ainda, achou uma garrafa de vinho pela metade e quase encheu um copo de requeijão. Além de folgado é doido, pois iríamos pedalar mais uns 50 quilômetros (E ainda saiu todo alegre dizendo que tinha tomado vinho “do Porto”).

Depois de conversar e descansar um pouco, decidimos que era hora de ir. A Sabrina nos explicou a melhor forma de pegar a estrada para Itu e lá fomos nós. Era um dia quente, principalmente por termos ficado expostos várias horas debaixo do Sol e aquilo tudo foi pesando. A estrada Porto Feliz – Itu tinha muita subida e o asfalto não era dos melhores, o que fez cair ainda mais nosso rendimento. Lá pelo quilômetro 60 eu acho que “quebrei”, pois estava sentindo dores nos quadríceps e para conseguir acompanhar o pessoal, tinha de fazer um esforço descomunal.

Quase chegando em Itu, numa subida que parecia não ter fim, os aficcionados em locomotiva ficaram olhando uma dessas passar (passava por debaixo da rodovia) e eu quase morrendo, segui meu caminho, pois não sabia que conseguiria continuar se parasse naquele ponto. No cume, resolvi esperar o pessoal debaixo de uma sombra e quando eles chegaram, tive de apelar e pedir para o Jupa levar minha bike tour (bolsa de guidão), pois aquilo estava realmente pesando. Ele aceitou de boa e aquele peso fez muuuuita diferença.

O relógio marcava 15healgumacoisa, então não teríamos tempo de passar dentro do perímetro urbano da cidade de Itu, apenas contornamos a entrada e pegamos o acesso para a rodovia do açúcar (?). Apesar do odômetro marcar mais de 70Km, mais leve consegui manter um rítimo melhor e acompanhar o pessoal.

O Nerso parou no posto/restaurante “Bife de Tira” para comprar isotônico e eu avisei os apressados que estavam muito na frente. O Sol ainda pegando forte, fez com que fôssemos para uma sombra e lá quedamos por uns 30 minutos, esperando a donzela chegar.

zzzzzzzzzz

zzzzzzzzzz

Com o aslfato melhor, desenvolvemos melhor velocidade o que amenizou o caos do cansaço. A volta foi tranquila, porém cansativa, onde paramos apenas na saída do pedágio da Castelinho para comer as últimas migalhas de banana desidratada que eu havia levado e os últimos quatro pêssegos que o Jupa tinha guardado. Dali em diante o cansaço dominou total. Eu olhava pros lados e parecia que os caras, apesar de cansado, ainda tinham gás pra pedalar bons quilômetros. Eu estava desacreditado.

Na última subida da Castelinho antes de chegar em Sorocaba, o Nerso começou com uma brincadeira besta de ficar acelerando meio que competição e quando vi a subida que nos aguardava, incitei-o falando que no final da subida, debaixo da ponte, valia pontos para a meta volante de escalador (camisa branca de bolinhas vermelhas) e doido como só ele, sentou a madeira no pedal e disparou na minha frente levando o Boo com ele (que não valia muito, já que estava de speed). Claro que aumentei o rítimo também, mas não loucamente como os dois, porém mantive a cadência e no final, quase sem pernas, passei pelos dois (que já estavam mais que quebrados) e passei por debaixo da ponte “por primeiro”.

Enfim a última descida! Ultima?? Bom, de estrada seria a última e o Nerso, doido de pedra, passou rasgando por mim mais ou menos na altura da Facens. Na ultima placa da Castelinho, ele parou, desceu da bicicleta e deitou no chão (sim, no acostamento da pista!) comemorando sua chegada! Ele iria ficar por alí, enquanto o resto ainda iria atravessar a cidade.

Fin

Fin

Logo depois da despedida do Nerso, levei um capote da minha bicicleta e a coitada estatelou no chão, gerando um pequeno problema no meu câmbio traseiro (damn it!). Problema semi corrigido, seguimos mais dez ou doze quilômetros praticamento nos arrastando pelas ruas de Sorocaba. Antes de chegar em casa, passei numa padoca e comprei um litro de suco de laranja e uma baguete recheada, que não deu pra nada, mas pelo menos o Ricardo sobreviveria em seu retorno a São Paulo.

Depois do pedal mais difícil que fiz, eis os resultados:

Distância: 110,52 Km
Tempo total útil: 5h50min
Velocidade média: 18,95 Km/h
Cidades: Porto Feliz, Itu e Sorocaba

Foi um desafio enorme, porém muito divertido. Mostra que com um pouco mais de treino seria possível fazer essa mesma distância com menos esforço e seria o início de um planejamento mais sério para uma cicloviagem de vários dias. Quem sabe em breve?

Até a próxima.

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2 Comentaram ↓

#1 Tania em 13.11.09 as 12:53

5 Horas pedalando! Parabéns! Acho que eu só consigo isso na proxima vida até mesmo porque nesta eu nem estou pedalando ainda, rs,rs,rs,

#2 Rafael em 13.11.09 as 21:44

Acho que faltou uma explicação. O vinho do Porto tomado pelo Nelson, não era do Porto mesmo, e sim uma produção local. Ou seja, era vinho de Porto [Feliz].

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