Era a minha vez de sair da comodidade da minha cidade e ir pedalar com os amigos onde desejassem (tá certo que os pedais em Itu e Cabreúva, também tive de pegar ônibus e ninguém fez conta). No ínicio da semana começaram a rolar emails para que fôssemos na Serra da Cantareira no então próximo Sábado dia 14/11/2009 e eu não tive como negar. E nem queria.
Como todo dia de semana, acordei nesse Sábado às cinco da manhã, peguei minhas coisas que já estavam arrumadas desde da noite anterior e saí pedalando até a rodoviária. Havia conversado com outros amigos cicloturistas que já haviam transportado a bicicleta em ônibus da viação Cometa e nenhum deles teve problemas. Eu não seria o primeiro, né?
Mais ou menos. Quando cheguei na boca do guichê e pedi minha passagem para São Paulo, logo o atendente me disse que eu precisaria embalar minha bicicleta, pois a viação Cometa não permitira o transporte do mesmo sem uma “embalagem”. Fiz cara de espanto e disse que não tinha a caixa da minha bicicleta e perguntei o motivo de não poder embarcar e ele me respondeu que de outra forma a bicicleta poderia sofrer algum dano no traslado e a empresa teria de se reponsabilizar por isso e a solução encontrada foi embalar! O cacete! Esse negócio de embalar, pra mim, é uma tentativa de inibir o cidadão levar sua bagagem!
Logo o primeiro estresse foi sanado, quando o rapaz do guichê me vendeu a passagem sob na condição de eu me responsabilizar por qualquer dano ao equipo transportado. Coloquei então minha bike no bagageiro do ônibus e me mandei pra sampa. Já na estação rodoviária da Barra Funda, liguei para o companehiro Boo e que estava chegando com seu verículo para podermos ir até a serra (infelizmente o metrô de São Paulo ainda não permite que o usuário leve sua bicicleta no vagão aos Sábados de manhã, mas mesmo assim considero a integração metrô – bicicleta bem avançado, principalmente comparando com a viação Cometa
).
Como era caminho, passamos na casa dele primeiro, onde eu troquei de roupa, demos uma geral nas bikes e fomos a caminho da serra. Ainda antes de chegar no destino, paramos em uma padoca para fazer a carga energética inicial. Pãezinhos na chapa, café, água e etc. Enfim prontos, tomamos rumo a Cantareira.
Algumas subidas e poucas descidas, vimos de longe em um recuo da pista dois carros parados, com a nítida impressão de que um deles estava quebrado. Encostamos e eram justamente o resto da trupe que, teoricamente, estavam nos aguardando no topo da serra pro nosso rolê. Estavam em volta do carro Biriba, Gaba, Mau, Limão (Tiozinho!) e… Zina?!?! O quê? O Zina (Ronaldo!) foi pro rolê e ainda zuou o Piolho?!
O lance é que o carro do Zina (Toiço) tinha super aquecido e seria imprudente ao veículo andar sob essas condições. Não olhei pro relógio, nem nada, só sei que lá ficamos uns bons e importantes minutos de nosso passeio. Mas fazer o quê? Esse tipo de coisa acontece mesmo… Se tivéssemos saído no pedal desde nossas casa, isso não teria acontecido. O jeito era esperar que os “mecânicos” solucionassem.
Horas depois, conseguimos chegar ao topo da serra, onde descarregamos as bicicletas e nos preparamos para o rolê. Meio quilômetro de asfalto e uma entrada invisível no meio da mata determinava o começo da aventura e sem parar já emendamos o chão de terra. Não sou experiente em Mountain Bike e sou um zero à esquerda quando se trata de Downhill, e era isso que nos esperava.
Creio que nem 200 metros adiante já tivemos que descer das bicicletas para passar pelas “crateras” que nos esperavam. Logo na primeira que já tinha uma poça enorme o Zina levou um rola e desceu o morrinho parecendo o brinquedo Splash do Playcenter, pois depois da queda vinha uma piscina de lama para amortecer o impacto
. Depois de algumas risadas meio ao ar puro, continuamos o pedal, sempre quase rolando morro abaixo, pois para mim (e creio que para os outros) o trecho era bem técnico. Sempre senti que minha bike era um pouco grande para mim, mas nos pedais urbanos, cross country e pedais na estrada nunca me senti desconfortável, porém dessa vez eu achei que iria cair a cada metro andado… realmente o tamanho fez a diferença.

Splash!
Depois de pedalado mais um pouco, a trilha ficou menos técnica e me senti mais confiante no pedal. Mesmo assim, tínhamos de descer das bicicletas constantemente pois troncos e valetas enormes no meio da trilha nos forçavam a isso. Cinco quilômetros depois saimos em uma clareira onde tomamos um pouco de água e descansamos por uns cinco minutos. Estranhamente parecia que eu tinha pedalado uns 20 Km. Saimos logo por uma descida e demos de cara com uma subida muito íngreme, quase impossível de subir pedalando e depois disso o trilha voltou a ficar um pouco mais fácil onde encontramos vários trechos de lama, muita lama.
Quase no final, saímos para uma descida muuuito íngreme e essa sim, impossível de descer pedalando. Quase caindo e segurando as bikes, fomos descendo vagarosamente e acabamos em uma outra clareira que desembocava em uma estrada de terra batida onde circulam carros. Pegamos essa estradinha procurando sair finalmente para o asfalto, qual nos levaria para o Bar do Pedrão.

Lama!!
Atolados de barro, adentramos o Bar do Pedrão, um lugar aberto que rolava um reagge. Pedimos uns lanches (uns mais toiços que os outros), umas cervejas e uns refri. Eu fui de breja, claro
Depois da demora, comemos o lanche e a discussão que permeava era como fazer para voltar. Uns queriam subir de ônibus, pegar os carros e descer pra pegar as bikes e os que ficaram serra abaixo; Outros queriam ficar por lá e esperar os carros chegarem; Outros ainda queriam pedir carona na estrada e subir na maciota; Eu fui enfático: quero subir no pedal! Ainda bem que o Maurício (irmão do Gaba) e o Boo aceitaram o desafio proposto.
Alguns quiseram argumentar que a subida era íngreme, que a estrada não tinha acostamento e que iríamos demorar uma hora e meia só pra subir. Quando falaram que era 10 Km, pensei comigo “estou mais acostumado com estrada, não deve ser não ruim assim”. Enchemos as caramanholas e pé na estrada!
Sim, foi uma subida cansativa, quase que initerrupta. Sim, eles tinham razão em relação ao acostamento, pois não havia sequer um centímetro disso. Porém, ao contrrário das profecias, subindo em um rítimo moderado, sem perder muito a cadência, fizemos o percurso de pouco mais de 7Km em cerca de 40 minutos. Apenas duas situações de perigo aconteceram: o primeiro, um palhaço de moto, que tinha a estrada inteira para ele, quis passar “rasgando” perto de mim; e o segundo, um “sem noção” dirigindo um Citroen vermelho passou a uns 5 cm de mim e do Boo, em uma situação de risco em que vinha um carro na outra mão e não tinha espaço para nos passar, ao invés de diminuir a velocidade do veículo, esperar o outro carro passar (era questão de segundos) e depois nos ultrapassar com segurança segundo o artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro, resolveu acelerar e nos ultrapassar “tirando tinta”! Foi tentativa de homicídio!

Se liga na missão
O que importa é que chegamos são, salvos e prontos para mais. O Maurício e Boo pegaram os carros e foram resgatar o preguiçosos que estavam tomando cerveja e jogando bilhar no bar, enquanto eu ficava tomando conta das bicicletas. Depois colocamos as bicicletas nos carros e voltamos, melancólicos, para a cidade grande. Eu ainda precisar tomar rumo para Sorocaba, então dei uma leve lavada na bicicleta na casa do Boo e depois fomos no pedal até a estação do metrô. Me despedi do brother e utilizando o benefício do metrô, entrei na estação com minha parceira.
Não tive problema nenhum em circular com a bicicleta no metrô, claro que sempre desmontado dela. O meu grande problema e sufoco foi novamente com a viação Cometa. Passei um perrengue para que pudessem permitir eu viajar com a bicicleta no bagageiro. Detalhe, eu era o único viajante que levava “bagagem”, ou seja, o bagageiro do ônibus estava vazio! Tentei argumentar que era viajante e que a bicicleta era minha bagagem, disse ao senhor muito arrogante na estação da Barra Funda que a ANTT permitia, etc e etc. Mas o argumento final foi que havia viajado para São Paulo por tal viação e que iria voltar da mesma forma, exibindo o bilhete de ida. No final, voltei para casa com a bike sem embalar mesmo como um “favor” que tal companhia me prestou… cômico!
Em Sorocaba, depois de ter descido do ônibus, fui para casa pedalando, claro. E cheguei pouco depois das 20h e com algumas minhocas na cabeça:
1- O tamanho da minha bicicleta realmente me incomodou e penso muito em fazer um bike fit para saber se troco de bike ou não;
2- Preciso tirar a tal carteirinha de cicloturista para que possa a me ajudar nos momentos em que preciso fazer integração da bicicleta com outros meios de transportes ou mesmo andar nas estradas;
3- Se continuar viajando, pretendo comprar um “mala-bike”, que ajuda na proteção do equipamento e evita transtornos como o que aconteceu nesse pedal;
4- Não pretendo parar de pedalar e viajar tão cedo
Até a próxima!