Da Lama ao Caos

Tenho que começar esse post dizendo: esse foi o pedal mais hardcore que já fiz (entenda hardcore como louco, sofrido, lúdico, pesado e plural).

Ah, mais um detalhe: peço desculpas de ante mão pelos possíveis erros de grafia/digitação e de frases meio sem sentido, pois o post deve ficar grande e provavelmente não terei tanta energia para fazer mais do que uma revisão. Então, preparem-se. :)

Passamos (eu, Bur, Piola, Nerso, Jupa e o Dirsão) sobre qual pedal faríamos, que dia seria e que horas seria. Só lembro que foi um inferno astral de e-mails e viadagens por conta de toda a chuva dos últimos dias. Finalmente na sexta-feira todos toparam vir para Sorocaba e acompanhar o novo (e experiente) companheiro, o Ricardo, em um pedal na famosa Trilha do Túnel. A trilha leva esse nome porque passa por dois sinistros túneis, qual vou detalhar mais na frente.

Na véspera do pedal, mais precisamente no início da noite caiu um “pé d’água” em Sorocaba e parecia que o mundo estava desabando. Eu estava no aniversário de um amigo e pensava “amanhã vai ser foda”. Foi então que comecei a receber algums SMSs dos amigos pedaleiros que estavam ansiosos para o dia posterior e quando voltei pra casa resolvi ligar para o Jupa que me passou o e-mail do Adirso que foi enfático “…do jeito que tá chovendo agora, não vai sobrar nada para amanhã”.

As sábias palavras do camarada pedaleiro se profetizaram e me dei por conta quando, 6h20 da manhã do dia 24/01/2010 minutos após ter acordado, escovado os dentes e preparado o café, sai de casa para comprar pão fresquinho na padaria (fui a pé, claro).

Um novo amanhecer...

Exatamente às 7h05 da manhã já estava prontíssmo aguardando os camaradas de sampa chegarem. Um pequeno atraso de um horae saímos para encontrar o camarada Jupa na Av. Gal. Carneiro. Encontro rápido e saimos batidos para o mini shopping da Granja Olga, onde encontramos o resto da galera (Adirso, Ricardo e Nerso) com mais três agregados (Fábio, Fominha e ) e hora que o sol já começava a dar o ar da graça.

Todos se cumprimentaram, se conheceram, era mais do que hora para pedalar. Pegamos um pequeno trecho da rod. Raposo Tavares sentido bairro Brigadeiro Tobias e logo mais entramos numa estradinha de terra rumo a “boca da trilha”. Curto pedal cross country passando por carro, ônibus e motos, entre chácaras e beirando a rod. Raposo Tavares e chegamos ao local.

No bar local, ao pé do morro, nos deparamos com diversos carros tipo pickup e muita moto. Conversando com o pessoal, fomos informados que estava acontecendo uma competição de resistência de moto por todo morro. Bem, perder viagem não era uma opção foi encarar mesmo assim e a instrução era “ouviu barulho de moto, se joga com a bicicleta pro lado (no mato).

Caramanholas reabastecidas, era a hora da diversão. Uma pequena subida e nos deparamos com o local “oficial” da organização dessa competição, quebramos a direita, veio uma leve descida e depois uma enorme subida. Ela não era apenas íngreme, ela era íngreme, comprida e tinha vários pontos escorregadios, onde a bike patinava. Era uma mistura de técnica com preparo físico.

Como ainda era começo, muitos tentaram ser fortes e subir até o fim no pedal, mas a maioria sucumbiu ao cansaço e acabaram empurando as magrelas (eu inclusive). Depois empurrar as bikes morro acima, chegamos em um trecho plano e feliz por ter desbravado talvez a parte mais íngreme do pedal. Doce ilusão. Poucos metros a frente, uma leve descida, uma quabradinha à direita e outra à esquerda e pronto, nova subida, não era somente maior, como parecia muito mais técnica, pois haviam trechos lisos e outros onde chão “cedia”.

Montanha!

Um novo trecho plano, suficiente para respirar, tomar uma água e esperar os remanescentes antes de seguir caminho e dar de cara com o início do vale:

Vale

Apreciamos o momento, tiramos fotos e começamos a presenciar a infeliz realidade qual passaríamos durante todo o resto do pedal, os motoqueiros. Poluindo o ambiente com fumaça e barulho, passavam “rasgando” nos obrigando a jogarmos-nos aos lados fora da trilha em ato desesperado. Tenho que admitir que não houve momento de extremo perigo, porém a cada som de motor zunindo em nossos ouvidos, sempre gritávamos “motooooo!!” indicando o momento de parar de pedalar e nos salvaguardar.

Depois dessa rápida parada, saimos para um novo trecho de subida, porém muito mais leve e muito menos íngreme. Nesse trecho foi possível desenvolver uma velocidade um pouco maior, além de poder pedalar sem parar (sem precisar empurrar).Ao fim dessa subida chegamos finalmente ao cume da montanha, onde pudemos novamente desfrutar de um belo visual.

Após essa nova pausa para fotos, era hora de encarar um dos trechos mais complicados do pedal, uma descida em single track. Na verdade a descida era muito mais do um “simples” single track e oportunamente eu a apelidaria de “trincheira” ou “valeta”. É difícil descrever a situação mas por conta de algum evento natural ou por ação do homem, entrar nessa trilha dava nitidamente a impressão que estava em uma vala onde os pedais geralmente encostavam nas paredes de terra e os pedaleiro tinham de descer apoiando os pés nessas paredes, como se estivessem fazendo um rapel (sem cordas de segurança ;) ).

O mais estranho e perigoso é quando escutávamos barulho de motor e então era um “deus nos acuda” para parar, achar uma brecha no mato, se embrenhar por lá tentando se esquivar do maluco que descia alucinado.

Pra vala, literalmente

A instrução era de descermos mais esparsados uns dos outros, para que se alguém caíssem, não causasse um efeito dominó. Porém havia um insano entre nós que descia sem muito medo e como disse o amigo Bur “o Nerso parece uma vaca louca descendo a trilha”. Insanidades a parte e muito tempo de uma descida muito perigosa, conseguimos chegar ao fim. Fim dessa parte, claro.

Depois disso a trilha melhorou e ficou bem plana, porém bem fechada e com muita lama. Por causa das chuvas da semana o chão estava literalmente encharcado. Em determinado ponto, já beirando o riacho que cruzava o morro, nos deparamos com vários motoqueiros parados em um trecho muito complicado da trilha. Os mais inteligentes e sensantos, que não usavam veículo motorizado, podiam passar pelo trecho simplesmente levantando a bicicleta e subindo em algumas pedras, ao contrários dos infelizes motorizados já que seria impossível levantar o peso de uma moto de trilha (200 Kg? Sei lá). Mesmo assim, alguns bons garotos ajudaram muitas motos, tentando levantar o guidão enquanto o piloto acelerava para tentar subir entre as pedras.

Passado esse momento que nos fez perder preciosos minutos, alguns quilômetros (ou nem tanto) a frente chegara um dos trechos mais interessantes da trilha, o tal do túnel. Naõ sei exatamente o propósito do túnel, mas é uma estrutura de pedras e concreto que permitia fluir a água do riacho de um lado a outro e por não prever a passagem se pessoas (utilizando quaisquer veículos) não há pontos de iluminação dentro dele. Primeiro que para chegar ao túnel, foi preciso entrar no riacho onde a água dava na altura da cintura e para isso alguns do aventureiros optou por sair pedalando em terra enquanto os mais cautelosos prefiriram entrar carregando a bicicleta.

Primeiro Túnel

E depois, atravessar um túnel sem ilumunição e com água corrente na altura do joelho foi uma experiência muito interessante, recheada de adrenalina. Como não tínhamos farois nas bicicletas (apenas um ou dois previnidos que foram na frente) tivemos que adentrar em fila indiana beirando o lado direito do túnel, conforme a orientação dos mais experientes. Foi um percurso curto que fomos com extrema cautela e sempre confiando um no outro. Na saída do túnel, já com iluminação natural do dia, a orientação era saírmos pela esquerda que era a parte mais rasa do riacho. Depois o Jupa me contou que se confudiu e foi sair pelo lado direito do túnel e levou um capote a lá Cirque du Soleil e quando levantou das águas profundas não achou sua respectiva bicicleta… o cara perdeu a bicicleta no meio do riacho!! (lógico que ele achou depois, mas deve ter rolado um certo desespero momentaneo).

Saída do 1o túnel

Eu só sei que foi um euforia geral, depois entrar na água pedalando, atravessar o túnel sem enxergar quase nada e sair do túnel com a água quase na cintura (em certos pontos acima dela), a galera tava em êxtase! Muito louco.

Depois disso, voltamos a atravessar o riacho para pegar a continuação da trilha (saída para direita), andamos por mais alguns bons trechos em single track, sempre desviando dos malditos motoqueiros, quando finalmente entramos em uma bifurcação da trilha onde os competidores de moto não poderiam passar. Nesse ponto estávamos indo direto ao segundo túnel qual enfrentaríamos e dessa bifurcação até lá foi um trecho com diversas partes alagadas; Realmente as chuvas desse janeiro de 2010 estavam causando estragos.

Algumas “lagoas” e alguns quilômetros depois estavam todos parados na entrada do segundo túnel, mais longo e consequentemente muito mais escuro. Esse túnel realmente estava escuro e não dava para enxergar nada! Esse túnel era realmente sinistro, pois além da escuridão, havia água parada e gelada e o lado qual estávamos percorrendo (no lado direto, bem colado a parede, meio que tateando para auxiliar) parecia ceder rumo ao centro do túnel!

Segundo túnel

Depois da tensão de atravessar esse segundo túnel, ainda passamos por algumas lagoas e seguimos a trilha até o primeiro sinal de civilização. Ainda seguimos por mais alguns quilômetros por estrada de terra (porém mais cross country), até a Rodovia Raposo Tavares, no bar do “risca faca” em Inhaíba. Nesse último trecho eu estava pedalando igual um condenado e minha bicicleta mals saía do lugar, achei que tinha “quebrado” e fiquei um pouco preocupado com a volta. Porém quando paramos no bar para reabastecer percebi que mesmo para empurar a bicicleta estava difícil e imaginei ser um problema mecânico.

Porém não tive muot tempo pra identificar o que era, já que todos queriam sair logo do bar com certo receio em relação a segurança do grupo. O problema foi que, mesmo no asfalto onde a bicicleta deveria render mais eu não estava conseguindo pedalar e era justamente em um enorme subida. Fiz um esforço DESCOMUNAL para terminar o trecho de subida qual todos fizeram com certa facilidade. Creio que só consegui terminar a subida porque o amigo Jupa foi pedalando junto comigo meio que dando um incentivo moral e também pelo fato de ver todos sentados ladeira acima me esperando a sabor de uma sombra.

Quando me juntei ao grupo, o Jupa, Nerso e o Bur chegaram para olhar o que poderia estar errado com a bike. Tiramos a roda da frente, eles desmontaram o pino do centro do cubo e perceberam um desgaste enorme no garfo. Algo estava atritando muito entre o garfo e a roda e o esforço que fiz gerou um significativo sulco no metal (do garfo). Creio que inverteram o lado do pino e seus estribos, montaram na roda e montaram no garfo e quando testaram, a roda voltara a rodar livremente! :)

A partir de então o pedal fluiu tranquilo e numa velocidade mais aceitável até o mini shopping qual havíamos saído. O Ricardo e sua trupe já tinham colocado as bikes no carro e já estavam tomando um chope dentro do mini shopping. Conversamos um pouco, tomamos alguma coisa e como ainda tínhamos mais 12Km de pedal, nos despedimos e tomamos caminho de volta pra casa. Nesse trecho, passamos pela cicloponte e vimos o rio Sorocaba alagado. Uma leve chuva ameaçou cair, mas deixou todos só na vontade. Em frente a academia BioFit nos separamos e despedimos do amigo Jupa e pedalamos até em casa, terminando assim o mais plural dos pedais que já fiz, como os dados:

Total útil: 4h15min46seg
Distância: 54.55 Km
Vel. Média: 12.7 Km/h
Vel. Máxima: 68.2 Km/h

Para comemorar a aventura, nada melhor que um bom banho, uma bela pratada de massa (só uma?? ;) ) e várias cervejas para hidratar:

Seleção de "artesanais"

Gostaria de dizer obrigado a todos que participaram do pedal pelas conversas, pelas risadas, pelas orientações, pelas demonstrações de companheirismo, pelos lanches ou simplesmente por ter participado. É por essas que eu digo que nunca vou parar… “a vida é loca”.

Até a próxima.

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10 Comentaram ↓

#1 Ricardo Carnauba em 29.01.10 as 8:08

Só posso dizer uma coisa: FOI LOUCO DEMAIS!

PS: Tirando a vaca louca do Nerso é claro …rs

#2 Jupercio Juliano em 30.01.10 as 16:26

Muito legal o post, curti.
e o pedal, craro que foi dazora.
minha próxima, curta, intenção é ir pra Mairinque, o foda é que o Nerso disse que é a terra dele e já se convidou pra ir. 8)
abração a todos e obrigado pela companhia no pedal

#3 Piola em 02.02.10 as 16:00

ééééééé… to nessa hein! Mesmo o Nerso indo hehehe
Foi mto loco meu pedal de estreia hehehe

Valeu pessoal

#4 Ricardo em 05.02.10 as 13:41

Fala galera gostaram do pedal??? Entao tem mais trilha…Estou marcando uma…..Para depois do carnaval…Esse pedal é louco e quase tao insano como o tunel…vcs irao enlouquecer….bora combinar

Abs

#5 Beto em 06.02.10 as 19:53

Cara sou amigo do Ricardo e fiz essa trilha um dia antes de vocês e tava mnuiitto loca. Muiitto barro, rio cheio, altas caverinhas na trilha pra sinalizar os perigos! Fantástico seu relato, parabéns!

#6 Rafael em 07.02.10 as 11:29

E ae galera!! Valeu pelos comentários!
Então Ricardo, eu animo outro pedal sim… Vamos combinar.

Ae Beto, valeu pelo comentário. Já fica esperto pra próxima se juntar a massa!! (se tiver paciência, claro) ;)

#7 Man crazy em 07.02.10 as 17:18

Ola, e ai pessoal blz,este dia tava muito louca a trilha,fiz amizades novas,mas o pessoal sumiu me adcionem la.ajudamos varios motoqueiros que tavam atolados,mas foi muito bom,vamos combinar outra.
To dentro fuji,da próxima.
abraços a todos…

#8 Wesley em 12.02.10 as 19:00

eai rapazeada do pedal aquele dia foi sim muito bom, como o Ricardo disse o próximo pedal é muit boom tem menos subidas e mais estradas e maior qantidade de descidas espero que vcs gstem se forem tbm !! grande abraço… não devem se lembrar de mim tbm sou o cara da gtsm5 vermelha/preta abraço….

#9 ze em 15.08.10 as 18:59

não fala assim dos motoqueiros parceiro, o pessoal vai achar ruim heim!! e os populares da região, do “bar”, são receptivos….e bons.

#10 Rafael em 17.08.10 as 20:04

E ae Zé,
eu não falei nada demais, além da verdade. O que aconteceu é o que tá escrito, ou seja, o pessoal desse campeonato não tava muito aí pra gente (alguns se preocupavam, mas a maioria não) e tacavam a moto em cima.

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