Trip Pedreira de Salto de Pirapora

Finalmente estamos nos organizando e a quantidade de pedais tem aumentado. Esse último fim de semana (07/03/2010) foi a vez de visitarmos a famosa Pedreira em Salto de Pirapora.

Mas o que tem de especial em uma pedreira? Em uma pedreira, não sei, mas essa é famosa por ser uma pedreira desativada e qual a água de um lençol freático fez preencher boa parte dá área que fora devastada pela ação do homem.

A sugestão de visitar a pedreira foi do camarada Fabiano, que já tinha feito um rolê por lá há um tempo atrás e nos convidou a fazê-lo novamente. Já usando tecnologia “nova”, boa parte do pedaleiros confirmaram a ida, menos os manos Adilson, Fominha, Boo e Ricardo. Marcamos às 8h00 em frente ao terminal São Paulo e como de costume, uma atrasadinha nos fez sair às 8h30 (nos encontramos às 8h15). O Piola havia vindo de Sampa e chegou no horário marcado (7h00 em ponto!), tomou café da manhã (café na caneca do Tux/Linux), se trocou, arrumamos as bicicletas e saimos ao encontro do mano Jupa. Ao nos encontrarmos ele confirmou que sua namorada, a Carol, ia conosco, estreiando assim em uma cicloviagem totalmente independente de motor (já fizera com auxilo de ônibus uma vez).

Passamos na casa da Carol, reorganizamos as coisas que iríamos levar e saímos para o encontro com o resto da trupe. Ao chegarmos na marginal Dom Aguirre, avistamos o Nerso Loco que não sabia do paradeiro do Fabiano. Voltamos pela ciclovia até a frente do terminal e vimos dois cabras pedalando no sentido contrário, qual eu saí cumprimentando com um “e aí?”, mas os caras passaram reto e eu com cara de bobo, mas o Jupa o reconheceu e eles se abraçaram. Apresentações feitas, por fim conhecemos pessoalmente o próprio Fabiano e o Zé, camarada de faculdade do primeiro elemento.

Fabiano, Carol e Nerso - bla bla bla

Todos estavam felizes e sorridentes, mas era a hora de partirmos. Saímos pela ciclovia da marginal sentido Votorantim, passamos por baixo do viaduto da rodovia Raposo Tavares, subimos o morro até a divisa entre Sorocaba e Votoratim, infelizmente pedalamos um curto trecho sob a calçada, voltamos as regras de trânsito pedalando no sentido correto do fluxo, atravessamos a cidade e pegamos a rodovia de acesso as cidades de Piedade e Salto de Pirapora.

Nesse ponto, esperamos o grupo de formar novamente e o Fabiano sugeriu que fôssemos pela “calçada” (entre aspas, porque era marginal a rodovia, mas não tinha nada de pavimentação, sinalização e etc.), mas como somos do contra, resolvemos ir em linha pela estrada mesmo, como é de nosso direito. Nem preciso que os carros passavam “rasgando” pela gente, sem um pingo sequer de senso de segurança, pois possivelmente estavam com pressa para ir buscar seus respectivos café da manhã. Mesmo assim, passamos por uma ciclofaixa que fora criada justamente para os cicloturistas passarem :)

Ciclofaixa na rodovia

Infelizmente a ciclofaixa improvisada acabou e continuamos a pedalar no canto da pista. Ainda no perímetro urbano, boas subidas e em um trecho plano, passei por um cara que estava pedalando na “calçada”. Quase não vi o cara, pois depois da guia vinha um longo e alto tufo de mato, um pedacinho de terra (a tal da calçada) e mais mato depois. Engraçado porque ele nos viu passando por ele e percebeu que ele podia pedalar na pista também, foi então que ele resolveu apertar o rítimo do pedal ainda na terra e pulou na minha frente já no asfalto e ainda foi na “busca” do Zé e do Piola que pedalavam mais na frente. Percebi que ele ficou lá por um bom tempo só no vácuo e quando percebeu que podia ultrapassar os caras, não teve dúvidas, mandou ver. Depois eu fiquei tirando sarro do caras porque eles, com suas bikes caras, tinham sido ultrapassados por um tiozinho de barra forte (claro que era gozação minha, pois a bicicleta ajuda, mas é só uma pequena parte do todo).

Distanciando-nos da urbanização, rapidamente a paisagem começava a mudar e, mesmo sendo parte do belo visual mais uma forma de exploração demasiada, passamos por uma grande quantidade de eucalipitos, qual nos ajudava muito com a leve redução da temperatura local e com o leve e agradável aroma da planta. Uma agradável descida e entramos em um trecho mais complicado, com pista única e toda mal cuidada mas que tinha um pequeno acostamento (em piores condições que a pista, claro), qual nos sentimos obrigados a andar por ela. A Carol ficou reclamando que aquilo era passeio para “meninos” e que devíamos ter escolhido um trecho com menos pedras, mas era questão de sobrevivência :)

Fora os caminhões que passavam “lambendo” nossas bicicletas, o trecho era curto e passou bem rápido. O final do trecho dava em uma rotatória, que indicava um retorno para Sorocaba e outro sentido para Piedade qual foi nossa opção. A pista estava em melhores condições e com o acostamento também na mesma proporção. Pedalamos por um curto trecho de reta e logo veio uma descida, qual logo nos primeiros metros avistamos placas indicativas de Caldo de Cana e Água de Côco. Era uma casa comercial típica de beira de estrada: feita toda de madeira e teto de zinco e obviamente paramos para reabastecermos o corpo e as caramanholas.

Botecão beira estrada

A cana estava em falta ou o camarada estava com preguiça de ligar a máquina de moer, então ficamos só na água de côco. Não posso deixar de lembrar e enfatizar que o Nerso encheu sua mochila de hidratação com quatro sabores diferentes de um refresco meio duvidoso. Claro que ficou com sabor de nada (ou de tudo). Segundo o tiozão do bar, mais três quilômetros para frente iríamos encontrar a entrada para a pedreira. Dito e feito, após uma boa descida e uma leve subida, seguida de uma outra subida um pouco mais pesada e perigosa (com vários caminhões lotados passando pela gente), passamos em frente a fábrica de cimentos Votorantim e menos de 1 Km a frente chegamos na entrada da pedreira.

Começava então um trecho de estrada de terra com o que figurava uma ótima descida, típica de um cross contry arrojado, que foi impedido forçosamente pelo demasiado fluxo de caminhões, que levantavam muita poeira ao passar. No final da descida pudemos observar a esquerda a continuidade da degradação da mãe Terra e do nosso lado direto o primeira vista da pedreira alagada. Isso nos deu ânimo para encarar a subida que viria e chegar logo ao local desejado. Continuamos na estrada de terra e logo vimos um primeiro bar, qual paramos novamente para comer um quitute antes nos de encontrarmos com a famosa pedreira. Saímos com ânsia de logo chegar e a partir desse ponto já observávamos bastante sinal de civilização: mais bares, algumas casas e alguns carros. Poucos metros bastaram para que pudéssemos curtir a primeira “miragem” do deserto.

A recompensa

Era um buraco enorme e largo, não achegava a perder de vista, mas era grande, cheio de água com uma cor verde de ser perguntar como, nem parecia que era obra do abuso do ser humano para com a natureza. Uma beleza estonteante e convidativa a um banho, principalmente por conta do calor que fazia. Admiramos a paisagem por alguns minutos, tiramos fotos e voltamos a contemplar a beleza do lugar, mas não sei porquê, se foi timidez ou receio, ninguém arriscou cair na água. Já que ficamos nessa situação, o Fabiano propôs visitarmos outra escavação da pedreira, quase tão bonita, um pouco menor mas com menos gente. Segundo ele, era menos “muvucado” porque o acesso era mais difícil e deveríamos pular uma cerca de arame enfarpado e poucos sabiam do lugar. Como transgressores da lei que somos, topamos na hora.

Voltamos um pouquinnho, passamos de volta pelo “mata burro”, atravessamos um fiozinho de água e chegamos na cerca. Com um pouco mais de cuidado, um a um, formos transpondo a barreira. Pedalamos um pouquinho numa mata pouco alta e nesse ponto era possível escutar uma queda d’água. Do nosso lado direito passava um regato pouco forte, o que dava a impressão de ser oriundo do tal lençol freático que o maquinário da pedreira atingiu. Mas isso é só especulação. :)

Em poquíssimos metros já podíamos ver a nova paisagem. Saímos no ponto mais alto da esvavação (ou quase) e imagem era como uma cópia da primeira, porém em uma proporção menor. Da mesma forma, contemplamos o lugar e novamente meio que esquencendo como a paisagem surgiu, agradecemos por ela existir.

Visual de tirar o fôlego

Desse ponto, demos a volta onde havia um acesso menos íngreme até a região alagada. Lá fazia uma generosa sombra por conta da ribanceira, tiramos mais fotos, comemos alguma coisa e decidimos entrar na água. Todos foram para água, mesmo os que não sabiam nadar (ficaram no raso, claro) e estar alí, nadando no meio daquela monstruosidade, sem som de carros passando e poulindo nosso ar, se refrescando com água limpa (pelo menos acreditávamos), com bons e lembrar que chegamos até ali pedalando, era coisa difícil de acreditar. Nunca me arrependi de ter saído para algum pedal (principalmente para essas viagens), mas não sei porque eu ficava repetindo para mim mesmo “Valeu a pena. Valeu muito a pena”. Muita coisa passou pela minha cabeça naquele momento, passou que o Ricardo (Bur) não tinha conseguido ir conosco, que eu podia nunca ter conhecido o lugar, que muitas pessoas simplesmente levam a vida atrás de dinheiro, sucesso e status e que essas coisas não vão trazer a real paz de espírito (justificativas são ecoadas como em um livro de auto ajuda).

Refelxões a parte, o lago, por assim dizer, era muito fundo e a maioria de sua área não dava pé, então tínhamos que ficar nadando ou flutuando o tempo todo. Como sabíamos que ainda nos restava o caminho de volta, decidimos sair logo pois o tempo nadando, era energia que poderia nos faltar no final do pedal.

Arrumamos logo as coisas, o Fabiano trocou a câmara furada por uma nova e saimos no pedal. Pelo mesmo lugar que entramos, saímos. Saímos novamente na estrada de terra e depois no asfalto a mesma estrada da fábrica de cimentos Votorantim. Nesse ponto tínhamos algumas opções: 1- Voltar pelo mesmo caminho por aslfato até pegarmos a entrada para rod. João Lemes dos Santos; 2- Pegar a rod. João Leme por dentro da plantação de eucaliptos, pelo caminho que o fabiano sabia; 3- Também fazer o percurso pelos eucalitipitos, porém por uma entrada que o Nerso indicara sem saber ao certo; 4- Por final, continuar a rodovia da fábrica até o centro de Salto de Pirapora e de lá pegarmos a rodovia João Leme dos Santos. A opção escolhida foi utilizar o caminho que o Fabiano fizera uma vez, por dentro dos eucaliptos, saindo em um acesso a rod. João Leme dos Santos.

Seria redundante dizer que nos perdemos. Primeiramente entramos na trilha entre eucalipitos, meio que tendo a certeza que estávamos certos. As trilhas foram se esgotando e as alternativas sempre davam a impressão de que iríamos voltar ao lugar que entradamo. Seguimos tentando nos basear em Norte olhando para o Sol e em certo ponto o Fabiano já não sabia mais nos dizer o caminho e foi aí que alguns queriam voltar e pegar a estrada novamente. Eu achava um desperdício largar mão da aventura para voltar para a certeza da estrada. Com o apoio do Nerso e a dúvida de outros, seguimos caminho no instinto (o que é errado segundo dicas de sobrevivência), o Nerso, loco que só ele, enfiava a bike em tudo quanto é matinho mais baixo em busca de uma trilha.

Depois de uma subida fdp, passei por uma trilha que me chamou a atenção por parecer haver um portão bem no final. Mesmo assim, seguimos um pouco mais a frente onde havia um tronco caído no meio do caminho. O Jupa se predispôs a descer um trecho para saber se valia a pena gastarmos energia na trilha, pois dava impressão que iríamos pegar sentindo estrada novamente. O bródi foi e voltou com a resposta que não queríamos ouvir. Nessa hora mais gente foi a favor de voltar, mas algo me dizia que iríamos nos arrepender e o Nerso ficava repetindo “vamos no instinto. Da hora! Vamos no instinto”. Não sei porquê, mas gostava disso.

Mas éramos um grupo e a decisão da maioria devia prevalecer. Como última carta, falei da entrada que me chamou a anteção por causa do portão e sem muito crédito o pessoal consentiu em verificar como última alternativa. Quando chegamos de frente tive a impressão de ver um cara passando de cavalo. Não precisei nem falar pro doido do Nerso descer a trilha “sentando a madeira” no pedal. Era um trecho muito bonito, com eucalípitos mais velhos e maiores, o que formava um aconchegante caminho de sombra.

High way to hell (or heaven?)

Lá de longe ele acenou para descermos e me senti obrigado a descer no maior pau, mas no meio do caminho desisti, freiei e fui descendo de vagar, curtindo a sombra, a paisagem e a descida em si, com os braços abertos e agradecendo pelo momento ímpar em minha vida. Quando chegamos, demos de cara com uma estrada (estreita, mas não chegava a ser uma “trilha”) de terra e o Nerso disse que era por aquele caminho mesmo. Quando o Fabiano chegou, reconheceu a estrada e disse que se lembrava dela e então estávamos no caminho certo.

Passamos pelo cara do cavalo, acenamos e continuamos no pedal. Depois disso vieram duas descidas alucinantes, cheias de “costelas de boi”, valetas e pedras, muitas pedras. Eu não sei onde eu tava com a cabeça, só sei que eu vi o Nerso descendo igual a uma vaca loca, não resisti e fui na mesma pegada. Infelizmente dei um susto no Floresta (Zé) pois passei muito perto dele e muito mais rápido e não tive como passar mais longe, senão cairia numa valeta e provavelmente sairia numa ambulância. Nesse interim de subidas e descidas alucinates, chegamos a um ponto onde indicava a chácara do restaurante Komida, qual eu reconheci por ter organizado um dos churras de minha formatura lá. Demos continuidade e depois de uma leve descida pudemos avistar a estrada pavimentada, que era justamente a estrada que desemboca na rod. João Leme dos Santos, como haviámos planejado.

Mesmo todos (ou a maioria) sendo adeptos de estradas de terra, ficamos muito felizes por não termos desistido da aventura ao nos perder, além da satisfação de chegar no lugar que queríamos cortando boa parte do caminho em estradinhas simples sem bolhas metálicas poluidoras. Daí pra frente foi tranquilo (ou quase), pois em alguns quilômetros pegamos a tal da rod. João Leme dos Santos. Passamos um pouco de sufoco nela, pois era um trecho sem acostamento, onde tivemos que andar em linha e procurando andar juntos para formar uma “massa”. Apesar do aperto, percebi que muito carros e caminhões sempre abriam distância lateral quando era possível.

Em linha

Logo chegamos na “entrada” de Sorocaba e adentramos via avenida Dr. Antonio Pannunzio, onde eu e o Piola ficaríamos. Paramos para despedir da galera bem em frente a um tiozinho que vendia caldo de cana, qual quase todos optaram por tomar (como estava perto de casa, eu preferi guardar espaço pra cerveja).

Após despedias e agradecimentos pelo pedal, em questão de minutos chegamos em casa, para bater aquele prato de comida e tomar aquela cerveja.

Tá ficando chato isso

No final de mais um dia de pedal, obtivemos os valores:

Distância: 53,34 Km
Vel. Média: 14,1 Km/h
Vel. Máx.: 57,3 Km/h
Tempo total (útil): 3h46’06”

Mais fotos na minha conta no multiply. E o trajeto segundo rota no bikely.

Mais uma vez, gostaria de agradecer imensamente a todos pelos momentos compartilhados (congratulações especiais ao Zé Floresta e a Carol). Não imaginei que seria tão gratificante conhecer a pedreira, tão energizante tomar aquele banho de piscina natual e tão emocionante se perder no meio dos eucalipitos. Sinto que cada pedal tem valido cada vez mais a pena, pelos lugares, pela aventura e pela companhia. Obrigado!

p.s. quero me perder de novooooooo! :)

  • teresa

    te encontrei. com muita dificuldade,consegui, é tão bom qto. o banho na piscina natural.

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