Batizada!

Não foi um batismo com água benta (ou isotônico (que ainda vou fazer)), foi um batismo com lama!

Na fria manhã de sábado do dia 22/08/2009, saí com mais dois pedalantes (Jupa e Nelson) para fazer mais uma cicloviagem. Como os dois são mais experientes do que eu, fiquei tranquilo em relação à organização e ao planejamento, tendo com simples tarefa chegar no horário, levar meus suprimentos nutricionais (especificados pela NutriSaudável) e ter disposição.

Às 8h30 da manhã, os três cavaleiros já estavam apostos na rod. João Leme dos Santos (na saída de Sorocaba, sentido Salto de Pirapora). Seguimos pela referida rodovia por alguns quilômetros (uns 5 ou 7) e entramos em um dos primeiros bairros de Salto de Pirapora, na entrada para a Universidade do Cavalo. Atravessamos o bairro acabando em uma estradinha que nos levaria a outra com acesso à rodovia Raposo Tavares. Essa primeira estradinha tinha um relevo variado, com constantes subidas e descidas e vistas panorâmicas (o Nelson quase desceu da bike para correr entre os campos de trigo :) ).

Pouco mais de 20km pedalados, paramos para descansar um bocado e nos alimentar. Nesse ponto, estávamos a decidir se pegaríamos a “Raposo” por estrada ou via uma trilha desconhecida que o companheiro Jupa vira no GoogleMaps. Não foi difícil decidir pela trilha e para lá fomos nós. Ao adrentarmos a trilha, uma leve subida seguida e uma íngreme descida, que nos esperava no final com uma bela poça de água (e lama). Hesitamos um pouco, mas não tinha jeito e assumimos que era parte da diversão e, foi nesse momento, que minha bike foi batizada. Não caí na poça, mas a bicicleta foi bem atingida pela lama.

Depois da lama, veio o caos: uma subida muito íngreme, com barro e algumas pedras soltas e que fizeram que nós descessemos das bicicletas e empurrássemos-nas morro acima. Trilha não muito estreita, mas com mato bem fechado dava um clima silencioso e um pouco escuro (dadas as proporções de horário (meio dia) e clima nublado, claro), qual finalizamos poucos quilômetros depois.

Demos de cara, enfim, com a Rodovia Raposo Tavares, também com subidas e descidas, mas em asfalto, o que nos fez desenvolver um pouco mais de velocidade. Saímos da “Raposo” e encaramos mais um pedacinho de estrada de terra e depois de poucos quilômetros, com o odômetro marcando 42 km percorridos, chegamos a chácara do Jupa (município de Capela do Alto). Passamos numa padoca, compramos pão, queijo, presunto, laranja e banana, e detonamos com quase tudo isso em poucos minutos.

Lá demos uma descansada e resolvemos voltar. Decidimos voltar pela “Raposo” direto (daria para escolher outro trajeto), sem perder muito tempo. O percurso foi tranquilo, com exceção de um dos poucos trechos sem acostamento que pegamos perto de Araçoiaba da Serra, onde um caminhão do grupo Votorantim (ou da empresa que fazia o transporte para) deu-nos uma buzinada altíssima e uma fechada sem nenhuma necessidade (fazendo-nos sair da pista). Diversos caminhões passaram pela gente, em trechos também sem acostamento e nenhum deles sequer deu uma buzinadinha “de alerta”. É realmente lamentável esse tipo de atitude, principalmente de uma empresa que se diz “ecologicamente correta” (pelo menos era o que dizia nas lonas de outros caminhões que passavam), já que a bicicleta não polui como os motorizados.

Estresse passado, pista com acostamento e nova pausa para um lanche, foram os momentos que precederam nossa chegada em Sorocaba. Na av. Gal. Carneiro, sentido centro, nos despedimos do Nelson, que ainda encararia mais uns 10 quilômetros até sua respectiva residência.

Ao chegar em casa e conferir o odômetros, fizemos:

Distância: 78km
Tempo total útil: 5h00min29seg
Velocidade Média: 15,5 Km/h
Velocidade Máxima: 57,0 Km/h
Cidades: Salto de Pirapora, Capela do Alto, Araçoiaba da Serra e Sorocaba

Foi uma experiência muito boa, um pedal com poucas paradas, com um clima bem ameno (muito vento, na verdade) e com um visual muito legal na maioria das vezes. Nunca havia passado por tantas cidades assim. Mais uma cicloviagem para ficar registrada!

Até a próxima.

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Odeio ciclovias!

Para muitos (principalmente os paulistanos), o conteúdo desse relato deve ser corriqueiro, porém foi a primeira vez que me aconteceu. Nenhum um acidente, apenas uma atitude a se pensar.

Depois de quase três semanas sem pedalar (apenas fim de semana para resolver um coisa ou outra ali) voltei a ativa nos pedais noturnos. Meus pedais são meramente de cunho esportivo, além de ser “anti-estresse”.

Era perto das nove da noite e eu tinha instalado, a menos de uma hora, um farolzinho tipo “break light” e estava todo contente em voltar a pedalar e ainda pensando “estou mais seguro”. Em uma avenida relativamente larga (três faixas) de Sorocaba, transitava pela faixa extrema da direita e depois de alguns metros peguei à direita onde havia um contorno para retornar a essa mesma pista no sentido oposto. Fiz o contorno e parei no semáforo (vermelho).

Esse contorno permite o motorista manter a esquerda e cruzar a tal avenida para pegá-la no sentido oposto e permite também o motorista manter a direita para pegar (ou voltar) a via no sentido estava (conforme ilustração abaixo), porém é faixa para apenas um carro e o “V” da bifurcação são apenas indicações pintadas no chão.

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Como minha intenção pegar o “outro lado” da pista, fiquei bem a direita na faixa da esquerda e logo parou um carro atrás de mim. Poucos segundos antes do semáforo abrir parou na minha direita (em cima da faixa pintada no chão) um cidadão de carro e ficou esperando. Logo que o semáforo abriu eu sai na frente e comecei a pedalar e logo ele acelerou o carro atrás de mim ‘enfiou’ o carro na minha direita quase subindo em no canteiro central e começou a olhar para a direita (dele, claro) tentando ver se algum outro carro vinha no sentido da pista qual iríamos nos adentrar (detalhe que se o semáforo abriu para nós, logicamente não viria nenhum carro naquele sentido, pois estavam todos parados no outro semáforo). Nesse momento, por pensar que ele não tinha me visto, dei alguns gritos e acenei com a mão sinalizando que eu “já” estava ali (e que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço).

Ele reduziu a velocidade e eu fui embora. Claro que alguns instantes depois ele se projetou para me passar, foi quando percebi que ele desacelerou o carro para ficar paralelo a minha bike. Eu olhei pro lado esquerdo achando que ele ia pedir desculpas ou dizer que não havia me visto (como já aconteceu diversas vezes comigo) e o cidadão com o vidro aberto do seu veículo poluidor proferiu a frase em tom agressivo e intimidador:

- Meu filho (ou amigo?), Sorocaba tem ciclovias!

A primeira coisa que pensei em responder foi:
- Mas onde você está vendo ciclovia aqui para eu circular?? – mas instintivamente respondi que era meu direito circular em via pública e que isso estava na lei. O infeliz ficou sem resposta e ficou indagando:

- Ah, está?
- Ah, está é?

Então ele abaixou a mão direita e reduziu uma marcha. Achei que ele ia jogar o carro em cima de mim, então parei de pedalar e me preparei para freiar (ou até me jogar na calçada), mas ele apenas acelerou furioso e foi embora.

Fiquei assustado, chateado e pensativo. Mal terminei meu percurso e decidi voltar pra casa, na ciclovia, quando tivesse, na rua como é de meu direito. Nesse caminho de volta refleti o tempo todo sobre o ocorrido e as dicussões que sempre rolam na lista da bicicletada (bicicletada-sp@lists.riseup.net) sobre o quão excludende é a idéia que pode passar a existência de uma ciclovia. Ou não só a idéia, o quão excludente realmente é uma ciclovia.

Talvez eu pare de pedalar… nas ciclovias.

Au revoir

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E aí? o que vai ser, hein?!

“Estava eu com minha mosga a pensar, vestindo minhas platis no auge da moda nadsat…”
Não entendeu? Então vale a pena ler o livro “Laranja Mecânica”.

Livro de ficção, escrito nos anos 60 por um cara genial chamado Anthony Burgess. Burgess descreve em seu livro uma sociedade “moderna” marcada pela violência, tanto por grupos de adolescentes, quanto pelo sistema “democraticamente totalitário”.

Seu vocabulário é único, cheio de gírias e expressões que tornam a leitura, inicialmente, dificil. Porém, depois de algumas páginas, essas expressões tornam-se naturais, não necessitando de tradução. Aliás, isso é uma coisa que se deve evitar ao ler as edições que vêem com tradução, já que a idéia do autor era mesmo causar desconforto e estranhamento em seus leitores.

Au revoir

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