A segunda é sempre melhor

O destino ainda era pouco certo, mas a vontade era sem fim. Às 5:30 da manhã o relógio desperta e novamente vem aquela vontade de dormir mais um pouquinho, porém a manhã do dia sete de março de 2009 era uma manhã atípica.

Com tudo preparado no dia anterior, peguei minha mochila, subi na minha bicicleta e fui para a rodoviária. Lá amarrei minha companheira no bagageiro e subi no ônibus com destino a cidade de Itu-SP. Na rodoviária de Itu, o camarada Boo me pegou de carro e fomos até a chácara da tia dele (um lugar muito bonito, calmo, com muito verde, uma piscina e muito som de pássaros (nenhum som de motor)) que fica em Salto.

Cross country - Salto/SP

Cross country em Salto/SP

Tiramos as bikes, enchemos as caramanholas e fomos ao encontro de outros três pedaleiros (Gaba, Limão e Mau) que nos aguardavam na mesma rodoviária de Itu (sim, fui e voltei). Finalmente partirmos para tal Fazenda do Chocolate. No caminho para a passamos por um trecho com muita mata (apesar de ser asfaltado) beirando o rio Tietê e uma serrinha com uma subida beeem íngrime.

Pedal nas ruas de Itu/SP

Pedal nas ruas de Itu/SP - foto boo

Entrada da estrada Itu-Cabreúva - foto boo

Entrada da estrada Itu-Cabreúva - foto boo

Desleixo humano em relação aos recursos naturais - Rio Tietê

Desleixo humano em relação aos recursos naturais - Rio Tietê

Chegando na fazenda, estacionamos nosso veículo ao pé de uma árvore e corremos para a lanchonete devorar algo cheio de carboidratos.

Conhecemos a fazenda e logo voltamos embora. A descida da serra, obviamente, foi mais tranquila e rápida e em pouco tempo de pedal já estávamos passando na frente do Shopping Plaza Itu, qual era destino de três integrantes do grupo.

Fazenda do Chocolate

Fazenda do Chocolate

Após nos desperdimos, eu e o boo tomamos caminho rumo a Salto-SP, de volta a chácara do boo. Pegamos a rodovia do Açúcar que nos rendeu mais 20km de pedal. Fizemos novamente um cross-country (6km) pelas estradinhas de terra até o destino (quase) final. Na chácara, um lugar bem tranquilo para olhos e ouvidos, descansamos, tomamos mais água e nos ajeitamos para voltarmos para nossos respectivos destinos. O destino do boo era São Paulo e o meu Sorocaba, então em determinado ponto cada um ia tomar seu caminho e foi justamente nesse ponto (fim da Castelinho (rod. Senador José Emírio de Moraes) com intersecção da rod. Castelo Branco) onde o boo me deixou com minha companheira.

Subi na minha bike e fui para Sorocaba. Passei pelo pedágio e sem parada cheguei até a marginal do Rio Sorocaba (+ou- 10Km). Lá fiz uma rápida pausa para comunicação, alimentação e hidratação e logo tomei o caminho de casa, num rítimo mais lento pelas ciclovias da cidade. Perto das 18:00, cansado mas feliz, adrentei em minha residência.

Foto com a galera, fim do pedal (Fim do pedal pra quem?)

Foto com a galera, fim do pedal (Fim do pedal pra quem?)

Resultados obtidos:

- Velocidade máxima: 60 km/h
- Distância percorrida: 92 km
- Velocidade média: 17,6 km/h
- Tempo total de pedal (útil): 4h56min
- Cidades percorridas: Sorocaba, Itu e Salto

A lição aprendida dessa vez foi que a utilização do pneu apropriado para o ambiente nos rendeu mais horas de pedal, a alimentação melhor também nos rendeu menos cansaço (no final, menor sensação de estar “acabado”) apesar de ainda não ter sido ideal, o deslocamento em um número maior de pessoas também contribuiu muito para o psicologico e o visual foi um incentivo a mais. Além disso, creio que estou me sentindo mais preparado para fazer uma viagem mais longa, com um destino certo, coisa que pretendo fazer até o final do ano.

O importante é que todos se divertiram, gostaram muito do passeio e ficaram se perguntando “quando será a próxima?”, o que indica que logo logo teremos mais trips para fazer. :)

Até a próxima cicloviagem.

Surpresa

Eu: E aí, Fernando? Tudo beleza? Fazendo uma comprinha?

F:Beleza. Um ventiladorzinho… Esse calor tá demais.

Depois de uma rápida conversa, meu interlocutor mirando meu capacete debaixo do meu braço pergunta:

F: Pô! Veio pro supermercado de bicicleta?

Eu: É! Não tenho carro, esse é meu veículo!

F: Cê tá “bom” hein?

“Menos carro, mais bicicleta!”  (:

Odeio ciclovias!

Para muitos (principalmente os paulistanos), o conteúdo desse relato deve ser corriqueiro, porém foi a primeira vez que me aconteceu. Nenhum um acidente, apenas uma atitude a se pensar.

Depois de quase três semanas sem pedalar (apenas fim de semana para resolver um coisa ou outra ali) voltei a ativa nos pedais noturnos. Meus pedais são meramente de cunho esportivo, além de ser “anti-estresse”.

Era perto das nove da noite e eu tinha instalado, a menos de uma hora, um farolzinho tipo “break light” e estava todo contente em voltar a pedalar e ainda pensando “estou mais seguro”. Em uma avenida relativamente larga (três faixas) de Sorocaba, transitava pela faixa extrema da direita e depois de alguns metros peguei à direita onde havia um contorno para retornar a essa mesma pista no sentido oposto. Fiz o contorno e parei no semáforo (vermelho).

Esse contorno permite o motorista manter a esquerda e cruzar a tal avenida para pegá-la no sentido oposto e permite também o motorista manter a direita para pegar (ou voltar) a via no sentido estava (conforme ilustração abaixo), porém é faixa para apenas um carro e o “V” da bifurcação são apenas indicações pintadas no chão.

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Como minha intenção pegar o “outro lado” da pista, fiquei bem a direita na faixa da esquerda e logo parou um carro atrás de mim. Poucos segundos antes do semáforo abrir parou na minha direita (em cima da faixa pintada no chão) um cidadão de carro e ficou esperando. Logo que o semáforo abriu eu sai na frente e comecei a pedalar e logo ele acelerou o carro atrás de mim ‘enfiou’ o carro na minha direita quase subindo em no canteiro central e começou a olhar para a direita (dele, claro) tentando ver se algum outro carro vinha no sentido da pista qual iríamos nos adentrar (detalhe que se o semáforo abriu para nós, logicamente não viria nenhum carro naquele sentido, pois estavam todos parados no outro semáforo). Nesse momento, por pensar que ele não tinha me visto, dei alguns gritos e acenei com a mão sinalizando que eu “já” estava ali (e que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço).

Ele reduziu a velocidade e eu fui embora. Claro que alguns instantes depois ele se projetou para me passar, foi quando percebi que ele desacelerou o carro para ficar paralelo a minha bike. Eu olhei pro lado esquerdo achando que ele ia pedir desculpas ou dizer que não havia me visto (como já aconteceu diversas vezes comigo) e o cidadão com o vidro aberto do seu veículo poluidor proferiu a frase em tom agressivo e intimidador:

- Meu filho (ou amigo?), Sorocaba tem ciclovias!

A primeira coisa que pensei em responder foi:
- Mas onde você está vendo ciclovia aqui para eu circular?? – mas instintivamente respondi que era meu direito circular em via pública e que isso estava na lei. O infeliz ficou sem resposta e ficou indagando:

- Ah, está?
- Ah, está é?

Então ele abaixou a mão direita e reduziu uma marcha. Achei que ele ia jogar o carro em cima de mim, então parei de pedalar e me preparei para freiar (ou até me jogar na calçada), mas ele apenas acelerou furioso e foi embora.

Fiquei assustado, chateado e pensativo. Mal terminei meu percurso e decidi voltar pra casa, na ciclovia, quando tivesse, na rua como é de meu direito. Nesse caminho de volta refleti o tempo todo sobre o ocorrido e as dicussões que sempre rolam na lista da bicicletada (bicicletada-sp@lists.riseup.net) sobre o quão excludende é a idéia que pode passar a existência de uma ciclovia. Ou não só a idéia, o quão excludente realmente é uma ciclovia.

Talvez eu pare de pedalar… nas ciclovias.

Au revoir